quinta-feira, maio 23, 2024
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A história do menino pobre do interior da Bahia que virou médico e foi assassinado no ES

Prima conta a história do médico Aloísio Vieira Silva, assassinado em Montanha. "Ele só queria viver e dar uma vida melhor para a família dele", desabafa.

“Ele estava no melhor momento da vida dele. Menino de coração bom, muito amado e querido. Era o médico da família. Era o nosso médico”. Essas são as palavras de Camila Silva, de 29 anos, prima do médico Aloísio Vieira Silva, de 29 anos, assassinado por esganadura e a facadas em Montanha no fim de semana.

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Aloísio era natural da cidade de Lajedão, no extremo Sul da Bahia, município com pouco mais de 3 mil habitantes, e que tem a economia voltada para atividades pecuárias, cultivo de eucalipto e grandes plantações de cana. Foi lá onde ele foi criado com o esforço da mãe e do pai, que trabalharam a vida toda no campo, e com o apoio da avó, com quem Aloísio passou grande parte da infância e adolescência, no perímetro urbano de Lajedão.

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Essa é a história do menino pobre, que venceu na medicina. “Meu coração está devastado. Crescemos juntos. Temos a mesma idade. Tem um mês e meio que ele foi na minha casa em Belo Horizonte. Uma dor sem fim. O Aloísio queria ser médico desde criança. Passava horas estudando. Os pais dele o deixava com nossa avó (em Lajedão) para que ele pudesse ter mais tempo para estudar. Ele fez o vestibular para medicina uma vez na Ufes, e não passou. E aquela não aprovação o motivou ainda mais, ele intensificou os estudos e no ano seguinte foi aprovado para cursar medicina na Universidade Federal do Espírito Santo. Foi uma alegria enorme na nossa família, e na cidade também. Ele morou em Vitória para fazer o curso dos sonhos, e vivia com o auxílio que a Universidade dava e ele fazia alguns bicos quando era possível, para sobreviver. Sempre estava alegre, como quem realiza um sonho. Gostava de cozinhar, e gostava de pintar quadros também. Era um menino muito correto, pontual com o trabalho”, disse a prima do médico assassinado.

“O Aloísio sempre passou por muitas situações constrangedoras por ser homossexual. Mas nós sempre o respeitamos. Ele só queria viver e dar uma vida melhor para a família dele. Ele ajudava os pais dele, a irmã dele (uma adolescente), e nossa avó. Nossa família nunca teve condições. Nesses três anos de formado, ele ajudava demais nossa família”, disse Camila Silva, prima do médico Aloísio Vieira Silva.

Sobre o suspeito que confessou o homicídio, a prima do médico disse: “Espero que ele pague, porque ele tirou uma pessoa muito especial para nós”.

Será sepultado na Bahia

O corpo do médico Aloísio Vieira Silva, de 29 anos, está sendo velado na casa da avó dele desde o início da madrugada em Lajedão (BA). O sepultamento está previsto para ocorrer às 12h desta segunda-feira (27), no Cemitério Municipal da cidade.

Repercussão

O Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) divulgou nota e expressou solidariedade aos amigos e à família do médico Aloísio Vieira Silva. O CRM-ES disse que recebeu com profundo pesar a notícia do falecimento de Aloísio.

Crédito: Instagram / Reprodução

O Hospital Municipal de Pinheiros divulgou nota em que se solidariza com a família e amigos do médico assassinado. “Agradecemos a contribuição deste excelente profissional que salvou muitas vidas neste nosocômio”, diz o Hospital, na nota.

Nas redes sociais, é grande a repercussão e a comoção em decorrência da morte do médico Aloísio Vieira Silva, de 29 anos.

“Sua história era linda. Difícil de acreditar que acabou tão precoce. Que Deus te receba em seus braços”, escreveu um amigo do médico, nas redes sociais.

Uma mulher escreveu: “Meu coração chora sua partida. Gratidão por todas as vezes que você atendeu a mim a meu pai de forma tão acolhedora. Você fará muita falta aqui na terra. Que você descanse no Senhor”, disse.

Se formou em 2020

Aloísio estudou medicina na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e se formou em janeiro de 2020.

Suspeito preso

Preso na tarde deste domingo (26) no distrito de Cobraice, em Conceição da Barra, Carlos Magno Santos Santana confessou ter matado o médico Aloísio Vieira Silva, de 29 anos, a facadas, dentro do apartamento dele, no Centro de Montanha.

Carlos Magno Santana confessou ter matado o médico Aloísio Vieira Silva, de 29 anos, em Montanha. Crédito: Reprodução

A Rede Notícia teve acesso ao Boletim de Ocorrência da prisão que autuou o suspeito pelo crime de latrocínio – roubo seguido de morte.

Os policiais civis e militares encontraram o suspeito dentro de um bar em Conceição da Barra. Na abordagem, os policiais encontraram no bolso de Carlos Magno Santos Santana a carteira do médico assassinado contendo documentos pessoais e cartões da vítima, bem como as chaves do veículo Chevrolet Onix roubado do profissional da saúde.

Aos policiais, o suspeito confessou o latrocínio. Disse, que sabia que a vítima era homossexual, e que após trocarem mensagens pelo aplicativo Tinder, marcaram um encontro, e a vítima teria o buscado em Conceição da Barra.

O suspeito contou que foram juntos, de carro, até Montanha, onde ele desceu algumas ruas antes do endereço da vítima. Que a vítima chegou primeiro, e logo depois, mandou a localização para o suspeito. Carlos Magno disse aos policiais que chegou no apartamento do médico cerca de 10 minutos depois do envio da localização pela vítima. Ele disse que permaneceu no apartamento por cerca de cinco horas.

A ocorrência narra que no ato da prisão, assim como as imagens já veiculadas denotam, o suspeito não esboçou arrependimento. O assassino confesso disse aos policias que após esganar a vítima, sacramentou o homicídio com golpes de faca. Ele confessou que após o crime utilizou o carro do médico para ostentar posts nas redes sociais.

Ficha criminal do suspeito

Segundo o Boletim de Ocorrência da prisão do suspeito, Carlos Magno Santos Santana possui passagens na Justiça por vários crimes como: tráfico de drogas, estelionato, furto e roubo.

Por nota, a Polícia Civil informou que a perícia foi acionada na manhã deste domingo (26), por volta das 09h30, para uma ocorrência de encontro de cadáver no Centro de Montanha. O corpo da vítima, do sexo masculino, foi encaminhado ao Serviço Médico Legal (SML) de Linhares, para ser necropsiado e liberado para os familiares. Após as diligências, foi verificado que o suspeito teria matado a vítima a facadas e levado pertences pessoais e o seu veículo, configurando o crime de latrocínio – roubo seguido de morte.

O suspeito do latrocínio foi detido horas após o crime em trabalho conjunto da PCES e PMES, no bairro Cobras, em Conceição da Barra, na posse dos objetos pessoais da vítima. Não dispomos de outros detalhes pois a ocorrência está em andamento.

Vídeo mostra entrada e saída de suspeito em apartamento

A Rede Notícia teve acesso a dois vídeos de uma câmera de segurança que mostra o momento em que o suspeito de assassinar o médico Aloísio Vieira Silva, de 29 anos, chega ao apartamento dele. Em outro vídeo, é possível ver o suspeito deixando o apartamento, no Centro de Montanha, e fugindo levando o carro do médico. Ainda não se sabe quando o crime ocorreu, pois a data e hora das câmeras estariam errados. Veja:

Vídeo mostra entrada e saída de suspeito de apartamento de médico assassinado. Crédito: Leitor / Rede Notícia

O crime

O médico Aloísio Vieira Silva, de 29 anos, foi assassinado a facadas, segundo amigos dele que estiveram na cena do crime. O corpo dele foi encontrado na manhã deste domingo (26), no chão do apartamento em que ele morava no Centro de Montanha.

A Polícia Militar informou que foi acionada na manhã deste domingo (26) e prosseguiu até o centro de Montanha para verificar uma ocorrência de encontro de cadáver. No local, foi relatado aos militares que amigos de trabalho da vítima estranharam o fato do homem estar atrasado para o trabalho, por isso decidiram ir até a residência onde ele morava, se deparando com ele caído, com sangramento no rosto, já em óbito. A perícia foi acionada e a ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil para investigação.

A reportagem apurou que o médico trabalhava no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e também dava plantões esporádicos no Hospital Municipal de Pinheiros.

Na manhã deste domingo (26), Aloísio estava escalado para o plantão no Samu de Montanha. Ele não apareceu e não atendia às ligações dos colegas, que foram até o apartamento e o encontraram morto.

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