quarta-feira, fevereiro 21, 2024
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Boa Esperança, Pinheiros, São Mateus, Sooretama… como o tráfico fere e mata inocentes

Delegado-geral da Polícia Civil fala em entrevista concedida à Rede Notícia sobre a forma com que o tráfico age no Espírito Santo fazendo vítimas inocentes.

18 de abril de 2023: um grupo armado sitia um quarteirão e começa a atacar a tiros um grupo de pessoas na rua, em Santo Antônio, comunidade do interior de Boa Esperança, no Norte do Espírito Santo. Os criminosos entraram na casa de uma mulher, e mataram uma pessoa. Um outro rapaz, que havia sido baleado na rua, chegou a ser socorrido, e morreu um mês depois. Uma outra pessoa foi baleada. A Polícia acredita o que o tráfico seja o autor do crime. Nesta localidade duas facções criminosas disputam o controle do tráfico.

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1º de setembro: os corpos dos adolescentes Wellington Gomes Simão, de 14 anos, Carlos Henrique do Nascimento Trajano, de 15, e Kauã Loureiro Corrêa, de 15 anos, são encontrados enterrados em uma cova rasa, em Sooretama. Segundo a Polícia Civil, os meninos foram sequestrados após irem a um bairro onde os traficantes eram rivais dos traficantes do bairro das vítimas. Os adolescentes foram assassinados com requintes de crueldade, e tiveram de cavar as próprias covas. Segundo a investigação, o tráfico é o responsável pelo crime.

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24 de setembro: Duas pessoas são mortas durante um tiroteio desencadeado no encontro de traficantes rivais na festa da cidade de São Mateus. Uma terceira vítima chegou a ser socorrida, e morreu no hospital.

26 de setembro: uma dupla de bandidos passa de carro e atira contra um grupo de pessoas que estavam em frente a um bar, no bairro Domiciano, em Pinheiros. Duas pessoas foram baleadas. Segundo a Polícia Civil as vítimas não têm ligação com o uso ou comércio de drogas, e a motivação do crime seria a disputa de facções criminosas que duelam o tráfico em Pinheiros.

Em entrevista concedida à Rede Notícia, o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, disse que “o tráfico de drogas impõe uma realidade cruel e brutal a todos nós. Hoje, a maioria dos crimes está relacionada a essa atividade, assim como a maioria das vítimas de homicídio são oriundas das disputas do tráfico. Além disso, furtos e roubos são cometidos diuturnamente para capitalizar o tráfico ou para sustentar o vício dos usuários”, argumenta.

“Enraizada na ganância por lucro rápido, essa prática criminosa traz consigo um sofrimento avassalador para inúmeras famílias. O resultado final é a decadência das relações sociais, concentração desigual de riqueza nas mãos dos grandes traficantes e o empobrecimento generalizado da população. A Polícia Civil tem atuado em todas as fases dessa cadeia criminosa, com grandes apreensões do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc), e operações integradas como a Caim, a Chicago, Sicário, dentre outras”, cita o delegado.

A Polícia Civil ao cumprir seu papel constitucional é um dos pilares da nossa sociedade para enfrentar essa situação, contudo, é imperativo o apoio de todos para conter as tragédias que dela emanam.

“O tráfico de drogas impõe suas próprias leis através de um código, “o código do tráfico”. Eles julgam, sentenciam e executam suas vítimas de forma cruel e brutal. Ele impõe uma guerra que chamamos de guerra assimétrica onde não existe ética no combate, matam seus alvos, inocentes e policiais sem se preocuparem com a opinião pública. A  maioria dos crimes está relacionada a essa atividade, assim como a maioria das vítimas de homicídio. Quando estive à frente do DENARC, nos anos de 2004 a 2007, identificamos os motivos que levam o tráfico a realizar execuções: o primeiro é furto como garantia, o menino compra a droga consignada e a nota promissória que ele deixa nas mãos do tráfico é a própria vida. O segundo é o furto como pagamento, o menino pratica pequenas rapinagens ou roubos em lugares nobres para comprar drogas, porém, esse comportamento atrai a atenção da polícia atrapalhando assim os negócios, razão pelo qual o tráfico manda eliminar. O terceiro é a guerra por territórios, os jovens morrem defendendo, conquistando territórios e em confrontos com a polícia. O tráfico traz para essa juventude um impressão de ganho fácil e glamour, sendo uma forma de se sentirem reconhecidos pelo seu grupo”, detalhou o delegado-geral, José Darcy Santos Arruda.

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