sexta-feira, julho 19, 2024
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Caso Géssica: Advogados falam com exclusividade para A Notícia

O caso de agressão à enfermeira Géssica de Sá Soto, de 26 anos, registrado na madrugada do último dia 15, segue rendendo no município.
Na manhã de ontem, os advogados de Braz Veloso Pianissoli, 24 anos, e Allender Paixão, de 29, presos na última terça-feira, dia 17, acusados de serem os principais agressores, estiveram na redação de A Notícia, juntamente com a irmã de Braz e esposa de Allender, Geyse Veloso, e com a namorada de Braz, Juliana Giovanelli Gussão.
De acordo com os advogados dos dois acusados, está havendo algumas contradições no inquérito e eles questionam a conduta do delegado da 17ª Regional de Nova Venécia, Líbero Penello, de o porquê algumas testemunhas não terem sido ouvidas. “No início, na tarde de domingo, o delegado Líbero usou as redes sociais para dizer que a Géssica havia sofrido apenas lesões leves, ou seja, sem risco de vida ou de ficar mais de 30 dias impossibilitada de trabalhar. Já na terça, quando foram efetuadas as prisões, ele autuou ambos por tentativa de homicídio. Já a Geyse, foi na delegacia para registrar boletim de ocorrência na segunda-feira, sequer foi ouvida, pois, no mesmo boletim confeccionado, também figura como vítima, assim como Géssica. Voltou na quarta para fazer outro boletim, devido a ameaças que ela e seus familiares vinham sofrendo. Ela foi convocada para depor na quinta, mas o delegado já havia exposto a conclusão do inquérito sem tê-lo concluído. Além disso, ele não quis ouvir outras testemunhas. Apenas as dela (Géssica). Teve um rapaz que não é amigo da família, que presenciou os fatos, e se prontificou a depor, mas até hoje, não foi, sequer, convocado”, afirmam os advogados.
De acordo com Valdino Mendes da Silva Júnior, um dos defensores de Braz e Allender, o pedido de revogação da prisão já foi protocolado, desde a última terça – feira (17/10), e será apreciada pelo juiz da comarca de Nova Venécia. “Eles não podem ser mantidos presos antes da finalização do processo. Eles têm direito, por exemplo, ao pagamento de fiança, mas isso não está sendo levado em conta. Se puderem, por favor, nos ajudem nessa injustiça. Eles têm o direito de aguardar o processo em liberdade. Se não quiserem afastar a previsão ilegal, que façam eles responderem, pelo menos, em liberdade”.
Segundo Valdino, Braz e Allender já foram vítimas dos famosos “justiceiros”, no CDP de São Mateus. “Eles já sofreram agressões na penitenciária e nós tomamos as medidas necessárias e encaminhamos para a Sejus, que prontamente nos atendeu e resolveu o caso”.
Valdino ainda questionou a condução do suspeito de iniciar as agressões à Géssica, Breno Ferreira Pansiere, citado no depoimento dela como o primeiro agressor. “A verdade real dos fatos deve ser trazida à baila de todas as maneiras possíveis, em razão da necessidade do contraditório e ampla defesa, além do in dubio pro reo, na dúvida se absorve o réu. A veracidade desse caso é que o tio da vítima, que é policial, que não foi testemunha ocular no momento das agressões, no dia seguinte ao ocorrido, prende um envolvido que seria o verdadeiro culpado, aqui em Nova Venécia, e leva de forma ilegal até a delegacia de São Mateus e forja um testemunho, acusando pessoas inocentes, que no caso seria os dois acusados de um crime que eles não cometeram”, disse.
Para a advogada Camila Ebert Leonel Cafeu, os acusados também estão sofrendo percas nesse período de detenção, sendo que foram presos pelos relatos de Facebook. “Eles estão sofrendo ameaças e sendo chantageados. Estão sendo coagidos de toda proporção. A repercussão (negativa) desse caso contra a família e contra eles está sendo maiores que os sofridos por Géssica e de difícil reparação. A Géssica também tem culpa reciproca. Os meninos são trabalhadores rurais. Não são playboys. Trabalham para o seu sustento, tanto que no momento que foram presos, estavam trabalhando na roça. Eles coordenam uma propriedade e, além disso, o Braz está finalizando a faculdade”, disse.
Para a defensora Porcina Alves Moreira, o caso tomou proporções além do que realmente aconteceu. “Não foi uma agressão contra uma mulher. Se tratava de uma briga generalizada. Se três homens tivessem batido da forma como alegam na Géssica, ela não estaria viva”.
O advogado Vagner Soares de Oliveira, ressaltou que todos foram surpreendidos com o depoimento da Géssica. “Ela não prestou depoimento por ser convocada. Veio porque quis. Inclusive, foi uma grande surpresa até para a polícia”, afirmou.
Para finalizar, o advogado Vinicio da Silva Santos, vê com surpresa o modo como os trabalhos vem sendo conduzidos. “Estou surpreso com a velocidade com a qual foi requerida a prisão de Allender e Braz, posto que, não haviam provas suficientes para tal requerimento, pois acredito que foram baseadas em relatos desconexos e de publicações em redes sociais. Acredito que as prisões foram decretas dada a forte pressão da mídia e de manifestações populares através das redes, a chamada comoção social. Sendo assim, não tenho dúvidas de que as prisões decretadas atentam frontalmente o Princípio da Presunção de Inocência, bem como, não preenchem os requisitos autorizadores para decretação, já que os acusados, reúnem as condições para responderem o processo em liberdade, pois, gozam de boa conduta social, bons antecedentes, tem residência fixa no município, primariedade, ocupação lícita (são produtores rurais) e são de família tradicional. A regra é o acusado responder ao processo em liberdade e a prisão é a exceção”, disse.
A defesa faz um apelo. “Que para se combater o crime contra mulher, é necessário que a própria mulher não pratique violência contra elas mesmas, uma vez que a vítima agrediu outra mulher (Geyse). A gente pede que a vítima diga a verdade, porque ela sabe que não foram eles, e isso é grave”, finalizou.
De acordo com Geyse, a discussão começou com uma jovem que estava servindo bebida no bar se recusou a servir ela e Juliana. “Ela disse que só serviria homens. Foi quando ela serviu o Braz. Então, pedimos para ela parar, discutimos verbalmente e ponto. Quando estávamos saindo, a Géssica chegou e jogou cerveja no meu rosto, me arranhou e puxou meu cabelo. Nesse momento, começou uma briga generalizada e algumas pessoas entraram para separar. O Braz e o Allender não agrediram a Géssica. Eles se envolveram em outra discussão com outros meninos”, esclareceu.
Geyse ainda disse que após a confusão, ela também deu entrada no Hospital São Marcos com lesões no rosto e nas costas e que mais pessoas foram vítimas. “Quando eu estava no hospital, mais dois homens deram entrada na emergência, além de mim e Géssica, por consequência da briga, mas não vi quem era porque tive que sair correndo para não ser agredida por uma pessoa que me viu na confusão, mas não reconheci quem era”, disse. Ela ainda afirmou que acredita que Géssica possa ter quebrado o maxilar após cair durante a briga e bater o rosto no chão, ou ter sido pisoteada por outras pessoas.
Geyse disse que quando chegou no evento, a Géssica já estava lá. “O Braz não consta em nenhum boletim. O que ela fala no boletim, ela não diz no depoimento. Chegamos na festa entre 22h e 23h e ela já estava lá. Há muita contradição. Não tem como vincular o Allender e o Braz”, afirmou.
Já Juliana, disse que no momento em que Braz viu que a briga era entre mulheres, ele, inclusive, a puxou no sentido contrário. “Ele estava com medo que eu entrasse na confusão, até porque ele não gosta”, disse.

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