quinta-feira, maio 23, 2024
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De peito aberto para encarar o câncer de mama

Um diagnóstico temido e não é para menos. Enfrentar a doença exige estar de cara com o medo. Depois de ter se visto livre do câncer de mama há 10 anos, a professora Maria José Rogin Bonomo, teve que lidar novamente com o que tinha deixado para trás. Só que desta vez, a doença atingiu as duas mamas e a retirada de ambos os seios, foi a única alternativa que a veneciana teve. Após um tratamento complicado, embolia pulmonar e entre outras sequelas, Maria se prepara para diminuir as idas a Vitória. Ao lado dela, sempre esteveram os filhos e o marido, Idáulio Bonomo, que incansavelmente, nunca deixou essa mulher guerreira desanimar. Além da Maria, a Angela Merces Martins Nicolau (foto com as filhas) também conta hoje, como foi ter o mesmo diagnóstico duas vezes em sua vida. A Laidi Zucolotto Silva é outra que, ao lado do marido, narra sua história na reportagem.

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Laidi Zucolotto Silva com o marido, Ronaldo
Angela Merces Martins Nicolau com as filhas

Mulheres na luta contra o câncer de mama

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Com diagnóstico em mãos, mulheres que passam pela dor de tratar do câncer, narram suas histórias, e relatam sobre o apoio incondicional das pessoas que sempre estiveram lado a lado com essas guerreiras. A Notícia participa da Campanha Outubro Rosa porque acredita que a prevenção e a informação, podem salvar muita vidas

Tem gente que passa os dias sofrendo por algo que tem pouca significância diante de uma doença tão tenebrosa. Já outras necessitam se erguer perante perturbadores resultados de exames. Enfrentar um diagnóstico de câncer de mama exige da paciente a superação do medo, da dor e da vergonha. O medo de faltar para a família; a dor de passar por cirurgias e de sentir os efeitos colaterais das drogas que curam, mas deixam fortes rastros; além da vergonha de ver o corpo diferente diante do espelho, dos próprios olhos e dos olhos do outro. Muitas, para se livrarem definitivamente do tumor, veem-se obrigadas a extirpar uma parte de si mesmas. Em muitos casos, a mutilação é a chance de cura que não deixa escolhas, o que aumenta o estigma da doença e o pavor em tratá-la.

Hoje, A Notícia remonta a luta dessas mulheres, que tiveram que se reinventar em busca da cura física e psicológica. Mais que apoio, elas contam na família, com o ombro amigo para todas as horas. Isso a reportagem mostra também. Confira:


A mutilação das duas mamas

A professora Maria José Rogin Bonomo, 52 anos, já havia superado a dor de ter passado por um câncer de mama, isso foi há 10 anos. Da mesma forma que na primeira vez, Maria descobriu um nódulo com o autoexame. Com receio de dar a mesma notícia à família, a professora demorou dois dias para avisar o que estava acontecendo. Depois do fato narrado e digerido entre os três filhos, ela e o marido, o funcionário público aposentado, Idáulio Bonomo, a vez foi de procurar tratamento. E lá foram eles. Maria passou por 12 quimioterapias, radiotepapias, exames, cirurgia para retirada das duas mamas e colocação de expansores (material utilizado antes do implante de mama). Foi justamente nesse momento que a professora teve uma embolia pulmonar. Tudo isso começou há dois anos e meio. “Na primeira vez não foi forte. Agora, o tratamento foi agressivo, com dores, efeitos colaterais, sequelas. Mas sempre vem em minha mente que nada dura para sempre, e que irá passar”, relata Maria.

Narrando o tratamento, Idáulio fez questão de contar que ele e a esposa fizeram juntos, 74 viagens a Vitória, até o momento. “O apoio da família é essencial, creio que 50%. Nós sempre estivemos com ela. Minha esposa tem o amparo em mim e em nossos filhos, não falta amor, não falta dedicação”, conta.

A Maria que lá atrás passou por dias difíceis, está agora, perto de diminuir as idas à capital, o tratamento surtiu efeito e aos poucos, a professora começa a realizar algumas tarefas que as dores não a deixava fazer antes, pois ela precisou deixar a vida escolar, para se dedicar a sua cura. Além disso, após aguardar o momento certo, Maria pode passar por uma nova cirurgia e a colocação das próteses mamárias. “Não é fácil, é doloroso e assustador. Mas deixo aqui o recado de que, quanto mais cedo a procura ao médico, mais eficaz é o tratamento. Não há outra alternativa, é preciso enfrentar de frente a doença e não deixar se abater. Acredito em Deus, e ao meu lado ele sempre esteve. Meu marido eu também não posso deixar de agradecer, nunca me deixou desanimar, sempre com palavras e ações positivas”, descreve.

» Maria Rogin Bonomo sempre contou com o apoio dos filhos e do marido, o Idáulio Bonomo, durante o tratamento

Da descoberta à convivência

A Laidi Zucolotto Silva, 48 anos, está em tratamento de um câncer de mama. O diagnóstico chegou após uma consulta na ginecologista. Com exames em mãos, a médica precisou dar uma das notícias mais tristes para a moradora do bairro Iolanda: um câncer na mama esquerda. O choro, as lágrimas e uma espécie de buraco se abriu na hora, é o que conta a Laidi, diagnosticada há um ano. Ao lado dela, estava o marido, o gerente comercial, Ronaldo Silva, 57. Sem filhos, o esposo foi quem viveu com a mulher, todas as dores e os processos de tratamento. Foram oito quimioterapias e 18 radioterapias, e agora, serão mais cinco anos de revisões e consultas. “Primeiro Deus, depois ele. Eu não tenho palavras e nada na vida vai conseguir pagar o que o Ronaldo faz e fez por mim. Ele está sendo meu pai, mãe, amigo, marido, irmão, é um anjo”, diz. Com 15 anos de casados, Laidi revela que o marido foi primordial, desde a descoberta do tumor maligno. “Tive efeitos colaterais ao tratamento, até na hora da queda do meu cabelo, meu marido estava ao meu lado, beijava minha cabeça, dizia que eu estava bonita e que iriamos vencer mais esse problema juntos”, fala.

O Ronaldo acompanha a esposa em todo tratamento, inclusive durante sessões de quimioterapia. De acordo com ele, o momento da cirurgia para retirada do quadrante da mama, foi o mais difícil; a sala de espera para o Ronaldo foi massacrante. A empresa onde ele trabalha, a Padaria Aparecida, permite que o colaborador esteja durante as consultas, e tratamento que a Laidi precisa. “Desde o primeiro dia, eu a acompanho, jamais passou pela minha cabeça em fazer ao contrário. Sei de maridos que largam as esposas nessas horas, isso não tem nem palavra para descrever. A descoberta foi um choque para mim, só que nunca pensei em morte e nem a vi doente, temos a força de Deus para seguir em frente”, diz.

Também com câncer na mama esquerda, a Angela Merces Martins Nicolau, 59, passou pelas dores da doença há 16 anos. A retirada do quadrante da mama esquerda e o longo período de tratamento deixou marcas, algumas delas, boas, que foi o apoio da família. Quem conta é uma das filhas da Angela, a Gleiciany Martins Nicolau, 26. “Me lembro que não foi nada fácil, mas eu, meu pai e minhas duas irmãs, sempre estivemos com ela. O amparo nessas horas é fundamental, nunca achei que não tivesse jeito, nem agora”, fala. A secretária se refere a atualidade, porque há dois anos, a mãe precisou ouvir de novo a notícia, sobre o retorno do câncer na mama e ainda, no pulmão. “Sigo firme fazendo o tratamento, meu marido (Uedson Nicolau) e minhas filhas sempre me ampararam. Em momento algum fiquei sozinha, seja nos exames, consultas e todo tratamento. Vamos sair dessa novamente vitoriosos, tenho fé”, relata.

» Para enfrentar o câncer, Laidi sempre contou com o esposo, o Ronaldo
» Três filhas e o marido são alicerces para a Angela Merces Martins Nicolau enfrentar o câncer de mama reincidente

Dados

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma, e atualmente, responde por cerca de 28% dos casos novos em mulheres. O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando menos de 1% do total de casos da doença. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Existem vários tipos de câncer de mama. Alguns evoluem de forma rápida, outros, não. A maioria dos casos tem bom prognóstico. Em 2018, foram estimados 59.700 novos casos de câncer de mama no Brasil.


“O intuito é chamar a atenção da população para esse câncer que mais acomete as mulheres no País, e não são só elas que devem participar. Mesmo com uma incidência muito pequena, homens também são vítimas. É de suma importância a participação da população, que ela vá até os postos de saúde, tire suas dúvidas, pegue novas informações e converse com um profissional qualificado e capacitado”
André Fagundes, secretário Municipal de Saúde


“O intuito da Campanha Outubro Rosa é instruir sobre a importância do autoexame, da prevenção e do autoconhecimento. Estaremos sempre à disposição das mulheres”
Marcilene Andrade, presidente da Equipe de Educação Continuada do Hospital São Marcos

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