domingo, maio 26, 2024
spot_img
HomeDestaque“Fui infectado pelo vírus do HIV e não sei quem me transmitiu”

“Fui infectado pelo vírus do HIV e não sei quem me transmitiu”

A descoberta da doença chegou aos 18 anos, depois que surgiram uns nódulos no pescoço. Sexo sem preservativo foi o motivo da chegada da doença. Hoje, homossexual assumido, João Pedro tem relacionamento estável, e o parceiro não é portador do HIV

Publicidade


Para reforçara a importância da prevenção e diagnóstico precoce entrevistamos um morador de Nova Venécia, que é homossexual assumido e descobriu que é portador do vírus HIV aos 18 anos. O contagio foi através do sexo sem preservativo e ele, nem sabe de quem pegou a doença. O que o João Pedro, 24 anos, sabe é que, sexo seguro é o melhor caminho. Com receio de enfrentar preconceito, o tratamento começou em Colatina. Hoje, João Pedro conta com o apoio e realiza todo tratamento no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) do município, local que o fornece medicamento de graça e acompanhamento. O rapaz mora com o parceiro, que não tem o vírus HIV e no depoimento, relata ter uma vida normal, sem qualquer restrição alimentar ou social.

Publicidade

Outra entrevistada é a Maria, 56, que também foi infectada pelo vírus HIV. Após saber da difícil notícia, foi a vez do marido realizar o teste, que também deu positivo. Sobre o contágio, o casal não sabe de quem veio. O que os dois fazem hoje em dia, é permanecer no tratamento de forma adequada.

Entre as afirmações idênticas dos dois entrevistados, está a prevenção, a realização do teste do HIV e o tratamento correto. De acordo com o CTA existem moradores soropositivos em Nova Venécia, que se recusam a fazer o tratamento e já infectaram outras pessoas.


A homossexualidade e a descoberta do HIV

“Descobri que eu tinha HIV aos 18 anos. Que eu era gay, eu já sabia, só não havia ainda assumido. Surgiram uns nódulos em meu pescoço, fiz exames e não constou nada. Eu fazia sexo sem camisinha e tive a vontade de fazer o exame, foi ai que constatei ser HIV positivo. Eu tinha um paquera em Colatina, mas não fui contaminado por ele, isso foi antes. Naquele momento que peguei o exame, o chão se abriu. Sentei em uma praça e fiquei lá chorando. A sensação de impotência é desesperadora, não sabia o que fazer, nem para onde ir. Preferi não esconder, contei para minha família, foi ali que tive apoio de imediato. Claro que eles ficaram chocados e com medo também, preocupados comigo, mas o apoio foi incondicional. Meus pais foram maravilhosos, apenas meu irmão quem teve resistência, andou espalhando que não era para ninguém encostar em mim, senão iria ser contaminado, isso me deixou e me deixa triste, mas escolhi não tirar satisfação, fazer vista grossa. Nesse momento também contei aos meus pais que sou gay, foram dois baques de uma vez para eles. Com receio de discriminação, comecei a fazer o tratamento em Colatina, passei um ano com depressão, nada tinha sentido, meu quarto era meu refúgio. Eu era um garoto ainda, estava confuso, pensei em suicídio, cheguei a arquitetar várias maneiras de me matar. Mas as coisas foram clareando e fui absorvendo melhor, entendendo todo processo. Também conheci meu atual esposo, estamos juntos há quatro anos. Ele sabe que sou soro positivo desde o início, contei. Não foi surpresa o apoio que recebi, ele é uma pessoa maravilhosa, é meu alicerce, e sem ele e meus pais, eu não teria superado aquela depressão. Meu parceiro não tem HIV, e nós dois hoje em dia, somos propagadores do sexo seguro e de que as pessoas realizem os exames. A melhor coisa é a prevenção, depois disso, o melhor é o diagnóstico precoce. Tomo meus remédios todos os dias, não sinto nada. No início a adaptação foi complicada, hoje não mais. Trabalho, tenho vida social, amorosa e muito prazer em viver. E não esqueçam, sexo tem que ser com preservativo, prevenção sempre será a melhor escolha. Comecei a minha vida sexual aos 14 anos, sempre com homens e não sei e nem tenho noção de quem me contaminou”
*João Pedro, 24 anos

Teste de HIV é de graça e sigiloso

Casal com HIV

“Há um ano descobri que sou portadora do HIV. Eu não sabia direito o que era isso. Descobri por acaso, depois de um teste de hepatite, pediram para que eu repetisse o exame. Eu estava sentada e me deram a notícia, fiquei sem entender. Não tenho muito estudo. Nesse momento já comecei a ter apoio dos profissionais do CTA, que começaram a me explicar sobre a doença. Contei ao meu marido, ele também fez o exame em seguida e deu positivo. Achei que eu fosse morrer, pensei muito tempo em morte. Com a ajuda do CTA fui me erguendo, as meninas conversam demais comigo, pude entender tudo e recomeçar a vida. Faço uso das medicações direitinho, nunca fiquei doente, meu esposo foi mais resistente, não tomava as medicações, emagreceu demais. Hoje em dia ele se conscientizou de que não pode fingir que precisa dos remédios. Estamos há quatro anos juntos, temos filhos de outros casamentos. Moramos somente nos dois e esse segredo acabou ficando só para a gente, temos medo de preconceito, ele tem medo de perder o emprego. Agora já não penso em morrer mais, quero viver muito ainda. Não sei quem contaminou quem, sei que sempre fui uma mulher direita. O que importa agora é o tratamento, quem tem essa doença precisa se conscientizar disso. Os remédios e tudo é de graça, não impede de ter uma vida normal, é preciso que a população entenda isso. Para me certificar de que não esqueci dos remédios, de vez em quando eu até conto cada comprimido meu e do meu esposo. Conheci uma pessoa que já morreu por não fazer o tratamento, não é isso que quero para mim”
*Maria, 56 anos

Campanha Dezembro Vermelho destaca a importância da prevenção e diagnóstico precoce

Dezembro Vermelho

A Secretaria Municipal de Saúde, através do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), está realizando a Campanha Dezembro Vermelho. A ação tem a finalidade de conscientizar a população sobre HIV e Aids, e desmitificar sobre o assunto.

O Dia D da campanha será nesta sexta-feira (13), na Praça do Imigrante, das 8h às 12h, em parceria com Hospital São Marcos. Terá teste rápido de HIV e Siflis, contando ainda com panfletagem, orientações para a população e apoio da Rede Notícia. Os resultados serão entregues durante a próxima semana e são sigilosos.

O CTA é um serviço de saúde que realiza ações de testagem e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis (DST), Aids, hepatites virais, e acompanhamentos aos pacientes. A unidade oferece serviços de testagem rápidas também para hepatites B e C, profilaxia após exposição sexual, preservativo feminino e masculino, e gel lubrificante.

Os testes rápidos são práticos e de fácil execução, podem ser realizados com a coleta de gota de sangue ou com fluido oral, e fornecem o resultado em, no máximo, 15 minutos com total sigilo e aconselhamento. Não é necessário qualquer tipo de preparação prévia, como jejum.

Atualmente, o CTA tem 94 pacientes em tratamento com HIV, sendo 57 deles homens e 37 mulheres. De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que 866 mil pessoas vivam com o vírus HIV no Brasil e a epidemia no país é considerada estabilizada.


Aids x HIV: não são a mesma coisa

“Ser HIV positivo não significa, necessariamente, que a pessoa tenha aids. Embora os termos sejam usados como sinônimos, eles indicam situações bem diferentes.

HIV é o vírus causador da doença aids, que ataca o sistema imunológico e afeta a capacidade de o organismo se defender. O vírus altera o DNA das células de defesa, faz cópias de si mesmo e se multiplica no organismo, atacando ainda mais o sistema imunológico e continuando a infecção pelo corpo.

A aids, por outro lado, é a manifestação do vírus HIV. É possível, portanto, que a pessoa tenha o vírus, mas não desenvolva a doença. Portanto, pode ser HIV positivo/soropositivo, mas não ter aids. Há pacientes soropositivos que passam anos sem ter os sintomas e sem desenvolver a doença.”

Renata Vieira de Lima é coordenadora do CTA
ARTIGOS RELACIONADOS
Anuncie Aqui!
Publicidade

EM DESTAQUE