quarta-feira, fevereiro 21, 2024
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Irani Vieira destaca luta pelas mulheres, saúde mental e contra abuso de crianças e adolescentes

Irani Tomé Vieira, 36 anos, candidata a deputada estadual pelo PDT, é a entrevistada desta sexta-feira (09), de A Notícia.

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Moradora do bairro Rúbia, Irani nasceu em Nova Venécia, é bacharel em Psicologia, morou 13 anos em Rondônia e tem três filhos: Kaylon, Francisco e João Pedro.

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Filha de Jandira Tomé e de Idhair Vieira (in memorian), ela ainda tem três irmãs e um irmão, e contou o que a motivou disputar o segundo pleito em sua vida – o primeiro foi em 2020, como vereadora.

“Ainda muito pequena, minha mãe sempre nos levava no médico e o posto de referência era no bairro Margareth, tinha que levantar de madrugada, e eu pensei que entrando na política, poderia fazer algo, mudar o panorama, a realidade, ter mais acessibilidade sem ter que se deslocar tanto. A gente saia do bairro Ascensão, onde cresci, e às vezes, chegava lá e não tinha médico, e eu pretendo fazer algo para mudar”, falou.

Irani ainda conta que nunca teve uma vida muito fácil e, como mulher, sofreu violência doméstica durante boa parte de sua vida. “Levantou essa bandeira em defesa das mulheres, porque eu sei o que é. Sofri violência física, moral, verbal, patrimonial, eu sei o que a mulher sente hoje. Na época, se tivesse uma casa de apoio, não só para a mulher, mas também para os filhos, para acompanhamento, até se estruturar, ter um novo recomeço, poderia ser tudo diferente, os municípios precisam aderir. Eu trabalhava na roça, tirando leite e em atividades rurais, e tudo que eu conseguia de recursos, o meu ex-marido administrava boa para para uso irregular de bebidas alcoólicas. Só não sofri mais, porque a família dele dava assistência. Então, me separei com muito trabalho e sofrendo ameaças, tive que ter apoio e retornei para Nova Venécia com meus filhos e meu pai idoso, aos 78 anos, sem recursos, sem nada”.

“Precisamos propor política pública efetiva para garantir a autonomia das mulheres em situação de violência, tendo como apoio casas de passagem para elas e seus filhos, e inserção no mercado trabalho. A casa de passagem oferta o serviço de acolhimento institucional para mulheres vítimas de violência doméstica, familiar ou em relações íntimas de afeto com risco de morte, bem como seus dependentes”, continua.

“Quando eu retornei de Rondônia para Nova Venécia, cheguei sem recurso nenhum e tive que aprender fazer unha, pois ainda não havia concluído o ensino médio, também por ter sido proibida de estudar. Com isso, não tinha experiência para ter um bom emprego. Diante disso, consegui um trabalho de doméstica na casa do doutor Cassiano, que foi uma segunda família para mim, ele e a esposa me ajudaram muito, fiquei lá três anos e só não passei dificuldades por causa deles”, completa.

A candidata ainda cita, que entre outras propostas, levanta bandeiras contra o abuso de crianças e adolescentes e a população de rua, grupo com o qual ela teve muito contato no período em que foi servidora pública na Secretaria Municipal de Assistência Social, trabalhando como assistente de Abordagem.

“Eu vejo muitas mães que precisam trabalhar e não tem com quem deixar suas crianças e elas acabam ficando soltas e desprotegidas, mas não é culpa da mãe, pois elas precisam trabalhar para levar o sustento para dentro de suas casas. Tem muitas mulheres solteiras que precisam trabalhar e não tem com quem deixar os filhos. Com isso, essas crianças ficando sozinhas em casa, aumentando o risco de sofrerem abuso, principalmente no interior. Na ausência de uma política de transição para o convívio social, muitos vão parar na rua, então, para conter isso, precisamos fazer mais creches de período integral e intensificar o projeto de escola tempo integral, abrangendo-o para o campo”, disse.

Outra proposta de Irani é avaliar uma forma de regularizar a situação da saúde mental, área que ela diz se identificar profissionalmente. “Sempre gostei muito da área da saúde mental, trabalhei em UBS e na Assistência Social, fiz estágio no CAPS e vejo o quanto os Centro de Atenção Psicossocial precisam ser mais assistidos para melhorar, com mais recursos. É necessário adaptação das estruturas públicas para atender as demandas de saúde mental da sociedade que tendem a crescer”, destaca.

Por fim, ela também pretende trabalhar para oferecer condições dignas para as pessoas que se encontram em situação de rua. “Precisamos de ações públicas e privadas. Utilizando dessa prática, acredito que é possível, sim, melhorar a situação de moradia no país. Por exemplo, termos subsídio para moradia de aluguel, melhorias habitacionais, imóveis públicos vazios, aluguel como opção de compra”, concluiu Irani.

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