quarta-feira, fevereiro 21, 2024
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Médica assassinada em Colatina: câmeras mostram “entra e sai” de quarto durante madrugada

Segundo a polícia, Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, de 39 anos, foi assassinada pelo marido Fuvio Luziano Serafim, ex-prefeito de uma cidade mineira.

A Rede Notícia teve acesso ao Boletim de Ocorrência do caso da médica psiquiatra Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, de 39 anos, assassinada em um quarto de hotel em Colatina, no fim de semana. O documento narra, que um investigador da Polícia Civil pegou ainda no sábado (2), data em que o corpo de Juliana foi encontrado, as imagens das câmeras de segurança do hotel.

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Nas imagens, segundo a ocorrência, é possível ver um “entra e sai no quarto 362 durante a madrugada (de sábado (2), entre Fuvio e Robson”. Os dois foram presos suspeitos de feminicídio e homicídio, respectivamente. Fuvio Luziano Serafim (PL), era marido de Juliana. Robson Gonçalves dos Santos, 52 anos, era o motorista do casal.

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Fuvio Luziano Serafim, de 44 anos, é suspeito de matar a mulher, a médica Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, de 39 anos. Crédito: Reprodução / Instagram

Cenário encontrado pela perícia

O Boletim de Ocorrência detalha o cenário do quarto encontrado pelos peritos. “Quarto de hotel todo revirado, garrafas de cerveja, sangue nas roupas de cama, corpo da senhora Juliana todo machucado, vidros de remédio quebrados e a janela do quarto aberta, o que levou os peritos a olharem se algo havia sido jogado do quarto, tendo sido identificado um frasco quebrado do medicamento Ketamin, do lado de fora, embaixo da janela do quarto 362 (onde Fuvio e Juliana) estavam hospedados”.

Ketamin, é um anestésico geral utilizado em procedimentos cirúrgicos, entretanto é usado por algumas pessoas como uma droga recreativa, devido aos efeitos alucinógenos que ela causa, proporcionando ao usuário a sensação de estar fora do seu corpo

Também no local onde o frasco do medicamento foi encontrado, havia “várias guimbas de cigarro”, diz a ocorrência.

Suspeito é ex-prefeito em MG

Preso no sábado (2), em Colatina, no Espírito Santo, suspeito de matar a atual mulher, a médica psiquiatra Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, de 39 anos, Fuvio Luziano Serafim (PL), de 44 anos, é administrador de uma empresa de laticínios e foi prefeito por dois mandatos seguidos em Catuji, Minas Gerais, de 2012 a 2020. Nas eleições, de 2020, emplacou a vitória da sucessora, a atual da prefeita da cidade Maria José de Oliveira (União Brasil), conhecida como Jô.

O ex-prefeito de Catuji (MG), Fuvio Luziano Serafim (PL), de 44 anos, e motorista do casal, Robson Gonçalves dos Santos, 52 anos, foram presos em flagrante suspeitos de feminicídio e homicídio, respectivamente. Eles vão passar de Audiência de Custódia, na manhã desta segunda-feira (4), quando a Justiça vai decidir se os mantêm, ou não, presos.

Fuvio Luziano Serafim (PL), de 44 anos, está preso suspeito de matar a companheira a médica Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, de 39 anos. Crédito: Reprodução / Instagram

Psiquiatra encontrada morta

Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, de 39 anos, foi encontrada morta na manhã de sábado (2), com hematomas no corpo, em um quarto de hotel onde estava hospedada com o marido, em Colatina. A médica psiquiatra atuava em Teófilo Otoni (MG), cidade de 140 mil habitantes, onde o pai dela o também médico Samir Sagi El-Aouar, foi prefeito e vereador.

Pai fala sobre morte de filha

O médico cirurgião, ex-prefeito e ex-vereador de Teófilo Otoni (MG), Samir Sagi El-Aouar falou neste domingo (3) sobre o assassinato da filha.

“Nós estamos arrasados, pensar que uma filha, de 39 anos de idade, médica psiquiátrica, com o futuro todo pela frente, uma filha maravilhosa, um amor de pessoa, de repente, é submetida a uma tortura, porque o aconteceu com ela foi tortura durante a noite toda. Houve taumatismo cranioencefálico em dois locais da cabeça, machucou o estômago, a traqueia e o esôfago dela, enfim, minha filha foi torturada até a morte. Mais um feminicídio neste pais, que eu espero, que se Deus quiser, não vai ficar impune”, desabafou o médico, em entrevista dada à InterTV, afiliada da TV Globo em Teófilo Otoni (MG).

A médica psiquiatra Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, de 39 anos, o pai dela, Samir Sagi El-Aouar, e o marido da médica, preso suspeito de matá-la, Fuvio Luziano Serafim, de 44 anos. Crédito: Instagram / Reprodução

“Ele já vinha batendo nela algumas vezes, dizendo que ela tinha caído dentro de casa, todo dia um olho roxo, uma cicatriz de sete centímetros na região frontal. Tudo isso já vinha acontecendo e ela querendo sair do casamento, e ele ameaçando para ela não sair, ele não aceitava a separação”, disse Samir.

“Ele programou o que ele fez. Tirou minha filha da minha vida. Amigos, parentes e conhecidos, todos nós estamos sofrendo hoje demais, pelo que ele fez. Não tem justificativa, mais um feminicídio, eu acho que o nosso país tem que acabar com essa matança de esposas, de namoradas, porque isso é um absurdo”, diz o pai da médica.

O cirurgião disse ainda que espera que a justiça seja feita e que o marido da filha permaneça preso. “Eu espero que daqui pra frente, seja feita justiça principalmente, mantê-lo preso até o final dos fatos”, finalizou.

O corpo de Juliana foi sepultado às 16h deste domingo (3), no Cemitério Vale das Flores, em Teófilo Otoni, Minas Gerais.

Laudo do Médico Legista

A Rede Notícia teve acesso a Declaração de Óbito emitida pelo Serviço Médico Legal (SML) de Colatina, que aponta as causas da morte da médica mineira Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, de 39 anos. Segundo o documento, Juliana morreu em decorrência de:

  • Hipoxemia: baixa concentração de oxigênio no sangue arterial;
  • Asfixia mecânica: impedimento direto da respiração, por oclusão dos orifícios respiratórios externos;
  • Broncoaspiração: entrada de substâncias estranhas, tais como alimentos e saliva, na via respiratória;
  • Traumatismo cranioencefálico: consiste em lesão física ao tecido cerebral que, temporária ou permanentemente, incapacita a função cerebral
Declaração de Óbito aponta causas da morte da médica Juliana Pimenta Ruas El-Auoar. Crédito: Serviço Médico Legal de Colatina

Detalhes do caso

Segundo a Polícia Militar, uma equipe foi acionada para verificar a informação de que teria ocorrido um assassinato em um hotel de Colatina, na manhã de sábado (2). No local, os PMs foram recebidos pelo gerente do hotel que informou que havia uma hóspede em um quarto com o marido, no terceiro andar, e em um quarto ao lado, o motorista do casal. Segundo o gerente, outros hóspedes reclamaram de barulho e bagunça vindos do quarto do casal durante a madrugada. Na manhã deste sábado, o marido da médica apareceu na recepção, alterado, querendo pagar a conta e alegando que a esposa estaria passando mal e teria desmaiado. O Samu/192 foi acionado, e constatou o óbito no local.

Fuvio Luziano Serafim, de 44 anos e a médica Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, de 39 anos. Crédito: Reprodução / Instagram

Para os policiais militares, o homem contou que a esposa fez um procedimento cirúrgico na sexta-feira (1), e em seguida, jantaram em uma churrascaria, e foram para o hotel dormir, por volta de 20h de sexta-feira (1). Na manhã de sábado (2), segundo a versão dele, a mulher amanheceu desmaiada.

O motorista do casal informou aos policiais, que foi chamado por Fuvio para ir ao quarto onde ele a mulher estavam hospedados, pois a médica havia caído no banheiro e precisava de ajuda. Segundo a PM, como houve informações divergentes, o marido da médica e o motorista do casal foram levados para a Delegacia Regional de Colatina.

Polícia diz que médica foi assassinada

A Polícia Civil informou que Fuvio Luziano Serafim, de 44 anos foi autuado em flagrante por homicídio qualificado por motivo torpe mediante recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima, cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino (feminicídio). Já o motorista do casal, Robson Gonçalves dos Santos, de 52 anos, foi autuado em flagrante por homicídio qualificado por motivo torpe mediante recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima. Ambos foram encaminhados ao sistema prisional. O caso seguirá sob investigação.

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