domingo, maio 19, 2024
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Polícia investiga morte de ‘Terremoto’, fotógrafo do coletivo Jornalistas Livres

O fotógrafo Felipe Ary de Souza, de 25 anos, foi morto a facadas, na madrugada do último dia 8, no centro da capital paulista. Até o momento, ninguém foi preso.

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Conhecido como Terremoto, ele era do coletivo Jornalistas Livres e foi ferido durante uma briga, ocorrida em um apartamento na região da República.

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Segundo registros da Polícia Civil Felipe participava de uma festa entre amigos, na qual também estavam Vinícius Santos Savedra, a namorada dele, Ivis Scarlet, ambos de 23 anos, e um rapaz identificado somente como Pepê. Vinícius e Felipe se desentenderam, por razões ainda investigadas pela polícia.

Ambos teriam se armado com facas, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo. Felipe foi ferido e encaminhado à Santa Casa de Misericórdia, onde morreu.

Vinícius fugiu do local, acompanhando da namorada, por volta das 4h30. Uma câmera de monitoramento registrou que a camiseta dele estava manchada com sangue. Ele a retira antes de sair do local.

As investigações são feitas pelo 3º DP (Campos Elíseos). Segundo a delegacia, um Inquérito Policial já foi instaurado para apurar “todas as circunstâncias do caso.”

“A equipe da unidade analisa imagens e realizará a oitiva das testemunhas e demais envolvidos. Demais diligências são realizadas para esclarecer os fatos.”

O corpo do fotógrafo foi sepultado nesse sábado (11/3) no cemitério Nova Cachoeirinha.

Em nota o coletivo Jornalistas Livres reforçou que o jovem evoluiu, como profissional das imagens, desde quando integrou o movimento de estudantes secundaristas que ocupou escolas, em 2015.

Os alunos protestavam na ocasião contra a reorganização escolar proposta pela então gestão Geraldo Alckmin.

“A favela, os Jornalistas Livres e os movimentos de moradia choram. Terremoto, em sua brusca e breve passagem, é tragédia que jamais deverá ficar silenciada”, diz trecho da nota do coletivo.

O coletivo relata que Terremoto aprendeu a ser fotógrafo, “e dos bons”, na prática, quando juntou-se ao grupo em 2016 para fazer a cobertura das ocupações de escolas por estudantes secundaristas em São Paulo. “Ele participava das reportagens no Jornalistas Livres, fazia coberturas, perguntava, ouvia, sempre com os olhos brilhando, querendo aprender”.

Entre suas principais coberturas constam a ida do coletivo a Curitiba, enquanto Lula (PT) estava preso na Superintendência da Polícia Federal e a produção de vídeo que ajudou a evitar uma reintegração de posse de edifício no centro de São Paulo, onde viviam dezenas de famílias sem-teto.

“Com sua alegria de menino travesso, ele colheu depoimentos emocionantes das crianças que fizeram o juiz entender o óbvio e suspender a ação. Terremoto seguiu pelo mundo, foi fotografar os seus, os talentos periféricos, ele sabia bem de que lado estava”, diz a nota.

Em paralelo com a tragédia envolvendo o jovem, os Jornalistas Livres ainda relatam que a mãe de Terremoto está sendo despejada e teve um princípio de infarte no dia anterior à morte do filho.

Nascido Felipe, por força interna se fez Terremoto

No site do Jornalistas Livres, dois colegas de Felipe TerremotoSato do Brasil e Lucas Martins, escreveram um belo artigo em sua homenagem.

“Terremoto era terremoto mesmo. Tem certos apelidos que vem com a própria vida, que se confunde com ela, que se apropria e se torna ela mesma. Terremoto tinha uma vibração, uma impaciência, um desespero de aprender, fazer, errar, aprender de novo, acertar, fazer de novo, sempre. E um coração imenso, gigante, explosivo e afetuoso. Quem não gostava do Terremoto? Ninguém. Era impossível desgostar do Terremoto. Sorriso tranquilo, cabeça a mil, coração batendo. Quando chegava, era um acontecimento. Seus pensamentos superavam a velocidade das palavras. Mas mais que tudo, ouvia. Sempre. Tinha a sabedoria jovem de ouvir. Como poucos. Sua presença se fazia sentir, como deve, por sua intensa vibração. Nascido Felipe, por força interna se fez terremoto. Pra ele não tinha tempo ruim, mesmo em meio aos cenários violentos em que prontamente ia, por dever de ofício, registrar. Câmera numa mão, cigarro na outra. Na voz uma piada ou provocação”, diz trecho do artigo.

*Com informações de Metrópoles e Revista Fórum

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