quarta-feira, maio 22, 2024
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Querido na comunidade e cruel com os rivais: quem é Marujo, o traficante poderoso do ES que foi preso

Polícia compara traficante com Pablo Escobar, narcotraficante que chefiou o Cartel de Medellín, nos anos 1980 e 90

O traficante mais procurado do Espírito Santo nos últimos anos, Fernando Moraes Pereira Pimenta, conhecido como Marujo, foi preso nesta sexta-feira (8). O delegado Romualdo Gianordoli, superintendente da Polícia Especializada, comparou Marujo ao famoso narcotraficante colombiano Pablo Escobar. Marujo foi encontrado escondido dentro de um bunker, na casa de seu pai, localizada no bairro Bonfim, em Vitória, durante uma operação da Polícia Civil.

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Fernando Moraes Pimenta, o Marujo, de 31 anos, durante prisão nesta sexta-feira (8) (Crédito: Polícia Civil)

Durante uma coletiva de imprensa que detalhou a prisão, a polícia descreveu Marujo como um líder “carismático” e “querido pela comunidade”. O delegado Gianordoli afirmou que Marujo tinha uma posição de destaque em sua comunidade, semelhante a Pablo Escobar, e que ele realizava ações beneficentes, como distribuição de dinheiro, medicamentos e auxílio em geral. O delegado também mencionou que havia vídeos mostrando traficantes armados distribuindo chocolates na Páscoa e brinquedos no Dia das Crianças, além de organizar atividades recreativas com brinquedos infláveis. Essas ações contribuíram para que Marujo conquistasse a simpatia das pessoas durante muito tempo.

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Pablo Escobar, líder do Cartel de Medellín, foi morto em 1993 durante uma operação policial. O cartel era uma organização criminosa que lucrava com o tráfico de drogas e armas. Durante as décadas de 1980 e 1990, o cartel controlado por Escobar era responsável por mais de 80% da cocaína traficada entre países da América do Sul, América do Norte e Europa, tornando-o o criminoso mais procurado do mundo.

De acordo com a Polícia Civil (PC), assim como Escobar, Marujo estava usando o dinheiro do tráfico para subornar os moradores da região onde se escondia. Durante a prisão, a PC do Espírito Santo foi atacada com pedras e recebeu gritos de apoio a Marujo. Ele estava em uma casa de quatro andares, que, segundo a PC, pertencia aos seus pais. O local tinha um portão reforçado e um túnel entre o telhado e a laje do último andar. Por volta das 8h20 desta sexta-feira (8), a Polícia Civil invadiu a casa, onde tinha informações sobre a localização do traficante. O delegado relatou: “Foram quatro meses de dedicação exclusiva para procurar e prender Marujo. Tivemos um serviço de inteligência cuidadoso e concentrado. A família dele foi enganosa, sempre dizendo que ele não estava lá e que estava no Rio de Janeiro. Mas persistimos até que ele, escondido, se manifestou. Ele falou, mas não abriu o acesso ao esconderijo. Tivemos que quebrar a parede falsa.”

Segundo Romualdo Gianordoli, para evitar uma reação de Marujo, o próprio pai do traficante foi encarregado de quebrar a parede que levava ao esconderijo. “Se você reagir, você vai matar seu pai”, disse o delegado, parafraseando o momento do diálogo da Polícia Civil com o traficante.

“Marujo teve uma progressão na crueldade dele. Antes, era um líder mais centrado, com medo de repercussões, mas depois foi se tornando mais cruel. Já determinou homicídios em todo o Espírito Santo e tinha pretensão de ganhar todo o Estado, mas os planos dele foram frustrados”, acrescenta Romualdo.

Segundo informações fornecidas pela Polícia Civil, o esconderijo de Marujo era equipado com tecnologia que permitia a abertura e o fechamento do espaço. No local, ele mantinha um cilindro de oxigênio para auxiliar na respiração e estava armado com um fuzil. Todo o material encontrado no esconderijo foi apreendido.

Marujo, chefe do tráfico de drogas dos bairros da Penha e Bonfim na Capital, responde diretamente à cúpula do Primeiro Comando de Vitória (PCV). Com a cúpula da facção na cadeia, Marujo passou a executar as ordens dos líderes. Ele se escondeu no Complexo da Maré, Rio de Janeiro, dentro de áreas controladas pelo Comando Vermelho (CV), aliado do PCV, até outubro do ano passado. O PCV é uma facção que domina não apenas a região metropolitana de Vitória, mas também se estende por vários bairros no interior do estado.

Marujo chefiava a base do PCV no chamado ‘Território do Bem’, que compreende o Complexo da Penha, em Vitória, além de outras cidades, como Aracruz, Linhares e Vila Velha e Serra. Na ficha criminal dele, os mais hediondos crimes: homicídio qualificado, tráfico de drogas, associação ao tráfico, organização criminosa e corrupção de menores.

O Primeiro Comando de Vitória (PCV), liderado por Fernando Moraes Pimenta, tem sido alvo de investigações policiais há vários anos. Um extenso relatório de mais de 500 páginas, citado pela TV Gazeta, afiliada da TV Globo no Estado, revela uma extensa rede de colaboração e troca de informações entre traficantes do Espírito Santo e criminosos do Rio de Janeiro. O relatório também destaca o poder da cúpula da facção, que, mesmo estando na prisão, continua a tomar todas as decisões em relação a Marujo. A investigação aponta que é de dentro do presídio que o líder do Bairro da Penha controla todas as atividades, desde a aquisição de drogas até sua distribuição nos pontos de venda. Carlos Alberto Furtado, conhecido como Nego Beto, é o principal fundador do PCV e é diretamente responsável por Marujo.

Mesmo estando na prisão, Beto possui informações detalhadas sobre a quantidade e o valor das armas do grupo, bem como o paradeiro de cada uma delas. Segundo a polícia, são os advogados que levam essas informações ao líder e recebem suas ordens para o grupo criminoso.

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