quarta-feira, fevereiro 21, 2024
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Roubo em São Gabriel da Palha e prisão em Nova Venécia: Justiça nega liberdade a trio

"A decretação de prisão é medida que se impõe para zelar pela ordem social", disse o juiz Maxon Wander Monteiro.

A Justiça converteu nesta segunda-feira (18), a prisão em flagrante, em preventiva (sem tempo para acabar), do trio preso no último sábado (16), na Avenida Guanabara em Nova Venécia, após roubar uma loja de aparelhos celulares iPhones, no Centro de São Gabriel da Palha. Adrian Cruz de Oliveira, de 22 anos e Ricky de Oliveira Coitinho, de 24 anos estão reclusos no Centro de Detenção Provisória de São Domingos do Norte. Não foi informado onde Sara Cristielli Moreira Queiroz, de 40 anos, está presa. A informação é da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus).

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A decisão pela manutenção das prisões dos criminosos é do juiz Maxon Wander Monteiro. Verifico que estão presentes no caso, os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva dos autuados, principalmente por haver prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria, pelos documentos acostados no Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD), havendo, portanto, justa causa para a decretação da prisão preventiva”, diz o magistrado no Termo de Audiência de Custódia, ao qual a Rede Notícia teve acesso.

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“De outra sorte, a segregação cautelar se mostra necessária no presente caso para garantia da ordem pública, uma vez que, conforme consta dos autos, os autuados Ricky e Adrian já cometeram delitos desta natureza, e possuem procedimentos perante a vara da infância e juventude, demonstrando desapego às normas de boa conduta social e a habitualidade no submundo do crime. Com relação a autuada Sara, destaco que primariedade e bons antecedentes não são garantidores da liberdade provisória, quando presentes os requisitos para decretação da segregação cautelar, como é o caso dos autos. Desta feita, entendo que a decretação de prisão é medida que se impõe para zelar pela ordem social”, assinala o juiz.

Na audiência de custódia, o promotor de Justiça Carlos Eduardo Rocha Barbosa requereu ao juiz que a prisão em flagrante dos suspeitos fosse validada, porque cumpriu os requisitos legais, e solicitou a que conversão do flagrante em prisão preventiva. O pedido foi acolhido.

O advogado Arthur Borges Sampaio, que faz a defesa dos suspeitos, solicitou a concessão de liberdade provisória com a aplicação de medidas cautelares e subsidiariamente a concessão de prisão domiciliar. O pedido foi negado.

O crime

Adrian Cruz de Oliveira, de 22 anos; Ricky de Oliveira Coitinho, de 24 anos; e Sara Cristielli Moreira Queiroz, de 40 anos. O trio foi preso na manhã deste sábado (16), na Avenida Guanabara em Nova Venécia, após roubar uma loja de aparelhos celulares iPhones, no Centro de São Gabriel da Palha. A Rede Notícia teve acesso, em primeira mão, ao Boletim de Ocorrência e ao Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD) dos criminosos.

Segundo a Polícia Militar, a equipe de serviço de São Gabriel da Palha, reportou aos militares de serviço em Nova Venécia, as informações do roubo que havia ocorrido, e as características do veículo, Palio de cor branca. A ocorrência detalha, que uma viatura da PM estava subindo o morro que dá acesso ao bairro São Cristóvão, em Nova Venécia, quando avistou o carro com os suspeitos. Os PMs na viatura, deram meia-volta, e “colaram” atrás do carro, ao mesmo tempo em que informaram as demais equipes de serviço na cidade, via rádio, pedindo reforço.

“Ao aproximar do veículo, no Centro da cidade, foi emitido sinal sonoro e luminoso de parada ao veículo, que foi desobedecido, e o carro evadiu-se, iniciando um acompanhamento, até a frente de um supermercado, na Avenida Guanabara, e ao forçar ultrapassagem pela esquerda o veículo colidiu no canteiro , estourando os pneus esquerdo e quebrando a parte frontal. Momento que o motorista, identificado como Ricky de Oliveira Coitinho (24 anos), tentou fugir (a pé), mas foi alcançado, imobilizado e algemado”, diz o Boletim de Ocorrência da PM.

Dentro do carro onde estavam os suspeitos, os policiais encontraram um revólver calibre .38 com seis munições intactas, canivete, R$ 10.360,00 em dinheiro vivo, além de aparelhos celulares iPhone e relógios Apple Watch, copos Stanley.

Funcionária conta momentos de terror

No depoimento em que prestou à Polícia Civil, sobre o qual a Rede Notícia teve acesso, a funcionária da loja de iPhones alvo dos bandidos contou os momentos de aflição e terror que viveu sob a mira dos suspeitos. Disse que o casal apareceu no estabelecimento dizendo que queria comprar um aparelho celular, e que em determinado momento, o homem apontou uma arma de fogo em sua costela, e mandou ela entregar todos os aparelhos telefônicos e dinheiro que estavam na loja. Antes de sair, o casal de criminosos amarrou a vítima e a trancou em um banheiro. A funcionária disse que depois conseguiu sair, e ligar para o patrão reportando o que havia ocorrido. A Polícia Militar informou que todo o material roubado foi recuperado no momento da prisão dos bandidos.

O depoimento dos presos

  • Em depoimento à Polícia Civil, Ricky de Oliveira Coitinho, de 24 anos, natural de Conceição da Barra, contou que já foi preso por homicídio, porte ilegal de arma de fogo, roubo e furto. Disse que é amigo de Sara Cristielli e de Adrian Cruz de Oliveira, também presos neste sábado (16). Após dar essas informações, segundo o delegado que assina o interrogatório, Dedier de Carvalho Alves, o suspeito invocou o direito constitucional de permanecer em silêncio. Ricky foi autuado pelos crimes de roubo qualificado, receptação, concurso material e desobediência.
  • Sara Cristielli Moreira Queiroz, de 40 anos, ficou em silêncio durante o depoimento. Ela foi autuada pelo crime de roubo qualificado.
  • Adrian Cruz de Oliveira, de 22 anos, natural de Nova Viçosa, na Bahia, também invocou o direito constitucional de ficar em silêncio durante o interrogatório. O suspeito foi autuado pelo crime de roubo qualificado.

O que diz a defesa

O advogado Arthur Borges Sampaio afirmou em entrevista à Rede Notícia que, após ter sido contratado pela família dos suspeitos presos, constatou que “os fatos narrados na ocorrência não condizem com a realidade”. De acordo com a defesa, “há um excesso de acusação que busca condenar em praça pública pessoas suspeitas, quando a Constituição Federal de 1988 assegura a presunção de inocência e que ninguém deverá ser considerado culpado antes do trânsito em julgado”. A defesa disse ainda que vai solicitar a Justiça, a liberdade dos suspeitos presos, pois segundo o advogado, “não estão dados os pressupostos para a manutenção da prisão dos suspeitos, haja visto que os mesmos possuem endereço fixo, não oferecem risco à sociedade e estão dispostos a colaborar com a Justiça”.

Reação das autoridades

O governador em exercício do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (PSDB), parabenizou a ação da polícia. “Parabéns aos nossos policiais, às forças de segurança. Homens e mulheres valorosos e comprometidos. Abordagem realizada com eficiência, vidas preservadas, criminosos fora de circulação”, disse.

O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo, coronel Alexandre Ramalho, comentou, nas redes sociais, a prisão do trio em Nova Venécia. “Mais uma abordagem policial realizada com sucesso. Arma no chão, mãos na cabeça, vidas preservadas e vagabundos presos”, disse o político.

O comandante-geral da Polícia Militar capixaba, coronel Douglas Caus, também elogiou o trabalho da polícia. “Fica registrado o meu agradecimento aos policiais militares do 2º BPM que participaram desta ocorrência. Ela demonstra o profissionalismo e dedicação de nossa tropa na busca incansável de redução dos índices de violência e criminalidade, além de levar mais segurança para a sociedade capixaba”.

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