quarta-feira, fevereiro 28, 2024
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Seu João Frigerio: 100 anos celebrando a Vida!

O centenário veneciano, nascido lá no Pip-Nuck, completou mais um ano de vida, desfrutando muita saúde, sabedoria e lucidez. Pai de 11 filhos, 13 netos e 10 bisnetos, o aniversariante traz em sua trajetória, costumes simples, além de apreciar um bom torresmo, unido com uma das essências da vida: a alegria de viver!

Desfrutando ainda muita saúde, disposição e com uma memória invejável, seu João Frigerio completou 100 anos de vida, na última quinta-feira, dia 19. Em sua casa, na rua Conceição, ali pertinho do Estádio Municipal Zenor Pedrosa Rocha, o centenário recebeu a equipe de reportagem da Rede Notícia, justamente no dia em que completou idade nova. “Estou aqui ainda, é meu aniversário e me sinto muito bem, graças a Deus”, falou o centenário, que, para a alegria dele, estava com a casa cheia de familiares. Netos, filhos, bisneto, irmã, assim estava a residência do idoso que, totalmente lúcido, contou muitas histórias durante a entrevista.

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Apreciador de um bom torresmo e daquela carne de porco, amante de doces, em especial o pudim, seu João apresenta disposição e é um nato contador de casos, adora bater um bom papo, já que, assunto não o falta.
Tendo ficado casado durante 68 anos com a dona Emília Farias (In Memória), seu João conta que, o casal que teve ao todo 11 filhos, e apenas oito vingaram, chegando na idade adulta, sempre viveu muito bem. “Eu não lembro de termos tido discussão, brigas. A vida inteira tivemos união, isso sempre fez parte da nossa vivência”, relata.

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O casamento de seu João e dona Emília, aconteceu em 1946 no Córrego Santa Cruz, na casa de tios da Emília, Luiz e Esther Cadorin. “Não foi fácil conseguir namorar com ela. O pai dela não queria, a irmã mais velha dela, parece que não estava dando certo no casamento e o pai falou que a Emília não iria casar. Depois do dia que nos vimos pela primeira vez, fiquei interessado nela, mas ela dizia que não. Um dia, uma amiga dela escreveu uma carta para ela falando de mim, e o pai dela acabou tomando conhecimento da carta, que estava guardada. Ficou muito bravo, e soube que, ele não gostou nada do nosso interesse um pelo outro, perguntou desse tal de “João Frigerio sanfoneiro”. Nós só começamos a namorar, depois que ele morreu”, conta.

» Certidão de Nascimento de seu João, nascido no dia 19 de outubro de 1923
» Seu João em fases diferentes da vida
» Seu João e a sanfona, instrumento que ele aprendeu a tocar sozinho
» Seu João e parte da família reunida, em 2015

Nascimento e o casamento com a amada

João Frigerio nasceu às margens do Rio Cricaré, no Córrego da Boa Esperança, em uma casa alta de estuque e, com esteios de madeira, no Pip-Nuck. Filho do italiano, Giovanni Emílio Frisiero (Frigerio) e da filha de cearenses, Conceição Firmino da Costa, era 19 de outubro de 1923.

O menino foi o sétimo, de um total de 10 filhos do casal, sendo que dois faleceram ainda criança. Seus irmãos: Antônio, Luiz, Benedita, Maria, Gabriel, Anselmo, Geraldo, Luzia e Matheus, sendo que, destes, a Luzia e o Matheus ainda estão vivos, inclusive, quando a reportagem chegou à casa do seu João, lá estava a dona Luzia, que já avisou. “Eu tenho 95 anos, em abril completo mais um ano de vida. Vim de Vitória para o aniversário do meu irmão”, contou a senhora.

Quando tinha 09 anos, seu João ficou órfão de pai e começou a encarar a dureza do trabalho na roça, e a se preparar para ter sua própria família. “Eu fui trabalhando na roça e aos 12 anos, comprei uma novilha, já com a idéia de servir para o lar que eu formaria mais tarde. Deixei a vaca no pasto que comprei, e quando casei, foram entregues duas vacas em minha casa, eram a continuidade das novilhas que comprei lá atrás. Minha primeira filha tomou leite dessa vaca, temos orgulho disso”, pontua.

Mas antes disso, claro, com seus 18 anos, o rapaz conheceu sua amada esposa em um “baile de mutirão” no Córrego da Ingá, na região do Perdido. A partir daí foram cinco anos de encontros e desencontros, alguns nas festas de São Marcos, de quem o casal se tornou fervoroso devoto, assim como Nossa Senhora Aparecida. A jovem Emília Farias tinha 15 anos na primeira vez que se viram. “Eu tinha outras pretendentes que gostavam de mim, e eu soube que ela também. Mas eu queria casar com ela. Nem perto de mim ela sentava, mesmo após o falecimento do pai dela. Ela ficava lá, e eu cá”, conta aos risos o centenário.

» Seu João e a esposa, Emília, em 2007

Após o casamento, que aconteceu quando ela estava com 19 anos, e ele, 22, o casal morou no Córrego do Cavalo, onde João trabalhava cultivando café e extraia madeira para seu padrinho Leopoldo Ayres Farias. Lá, Emília perdeu seu primeiro filho, que seria um menino, mas logo depois veio a primogênita, a Orly.

Algum tempo depois, a família foi morar no Córrego Cachoeirinha, em terras que ele comprou de sua sogra, a dona Maria Rocha, onde plantavam café, criavam gado e faziam farinha para vender em Nova Venécia, além de galinhas e porcos, ou “capados”, como era chamado na época, que auxiliavam na despesa da casa. Aí nasceram: Adelice, Maria de Lourdes, João Marcos, José Jorge e Juarez.

Já mais tarde, na cidade, nasceu e morreu mais uma filha, a Maria da Penha, mas a alegria voltaria com o nascimento de Neide Aparecida e Lucineide que, com um último menino que Emília perdeu, ficou sendo a caçula. Do matrimônio do casal, nasceram os netos, Rogério, Rodrigo, Jaqueline, Janaína, Juliana, Tiago, Joana, Eduardo, Jamilly, Jardel, Letícia, Emília e Isadora, em um total de 13 netos. Já os bisnetos, são 10, o João Victor, Maria Eduarda, Antônio, João, Catarina, Emília, Félix, Heitor, Beatriz e Paulo, 10 bisnetos.

Entre as histórias que seu João contou durante a entrevista, foi sobre sua sanfona. “Aprendi a tocar sozinho, ouvindo. É algo que gosto muito, mas, há uns dois anos estou parado, mas eu tocava até esses dias, mas meus dedos estão meios duros, estou esperando passar isso, para voltar a tocar”, narra.

» Filhos de João e Emília em Córrego Cachoeirinha no ano de 1955. Da esquerda para direita: Em pé: Orly e Adelice, sentados: João Marcos, José Jorge e Maria de Lourdes. Os outros ainda não haviam nascido
» Seu João, a esposa, dona Emília, e a filha primogênita do casal, Orly. Foto tirada em 1948, na Praça São Marcos, por um fotógrafo trazido de Barra de São Francisco, pelo padre Zacarias

Mudança para zona urbana de Nova Venécia

Narra seu João que, em 1956, começou a construir uma casa na cidade para que, diferente dele, os filhos tivessem a oportunidade de ir à escola, tudo sempre com muita luta. O lar foi construído com madeira que, o próprio João Frigerio trazia nas costas da mata. Foi ali, na casa da rua Conceição, 228, que ele terminou de criar os filhos, viu eles se casarem, os netos e bisnetos nascerem e, aonde mora até hoje.

Em 2014 morreu sua amada esposa, a dona Emília, e seu João também precisou conviver com a perda dos seus dois filhos, Adelice e João Marcos.

Já aquela velha casa onde nasceu, lá em Pip-Nuck, não mais existe, muito tempo se passou e, a saudosa vila de “Barracão”, também deu espaço para a cidade de Nova Venécia. A Segunda Guerra Mundial e muitos outros acontecimentos mundiais, também fizeram parte da vida do seu João, que aos 100 anos, comemorou o aniversário com familiares e amigos, Parabéns, seu João! Aproveite cada segundo do seu centenário, é muito orgulho para a Rede Notícia, ter contato um pouco da sua história!

» Seu João e dona Emília, e os oito filhos, em 2009
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