segunda-feira, maio 20, 2024
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Solidariedade pode mudar a vida de quem tanto precisa

Sem ter onde dormir, eles dividem um colchão entre quatro irmãos. A energia da casa está cortada e café, às vezes, tem um gole puro ao acordar. Assim como a família da Marilza, mais duas visitadas por A Notícia não vai ter um Natal de fartura, mas poderá ter dias mais confortáveis, se a ajuda chegar.

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Natal de quem pouco tem para comemorar

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Um colchão para dividir com quatro filhos, às vezes um café puro ao acordar e ao anoitecer, a escuridão toma conta da casa, que está com energia cortada. A Notícia esteve com três famílias venecianas, que de forma silenciosa, pedem socorro. O Natal para muitos será de fartura. Já para eles, talvez tenha um prato de arroz e feijão

O Natal é para muitos sinônimo de fartura, de alegria de reunião entre amigos e familiares. Mas tem muita gente que não tem nada a oferecer, e nem ao menos algo para comer, muito menos uma refeição na ceia natalina.

A realidade de algumas famílias visitadas pela Rede Notícia vai além desta data. No dia a dia, muitas delas não tem o que comer, nem um colchão para dormir. Na casa da Marilza, ao ser perguntado o que gostariam de ganhar, houve um silêncio entre os quatro filhos. Mesmo diante da pobreza, em meio a nenhum brinquedo e nada de móveis, as crianças nada responderam. A mãe respondeu que qualquer coisa os faria feliz e que um dia vai comprar uma bicicleta que sirva para todos, que é o sonho deles. Ali, naquele lar minúsculo, o que se viu foi um pão seco, endurecido pelo tempo e uma criança comendo aquilo com prazer.

Já na casa da Elizangela Teodoro, 39, o brilho no olhar da pequena Ketterine Gabrieli, 6, chamou atenção da reportagem, com o desejo da menina de ter uma bicicleta de rodinhas. Ali, a mãe mora com cinco filhos e dois sobrinhos.

No lar da Rayanni, 28, são quatro filhos e dois deles dormem no chão. A caçula da família tem apenas 9 meses e nunca teve um berço. As duas primeiras histórias, os moradores são do bairro Aeroporto e a última família, do Rúbia.

Uma das coisas positivas encontradas pela equipe de reportagem da Rede Notícia, é que em meio a tanta tristeza e miséria, todas as crianças relatadas na matéria estão matriculadas na escola. O leitor que puder ajudar de qualquer forma, deixar as doações na Rede Notícia. #ajudarfazbem


Família precisa de aluguel social

Quatro filhos que dormem no chão. Um colchão é revezado entre eles, enquanto um dorme nele, os outros precisam dormir em uma coberta, é o que resta. Móveis, nenhum inteiro. Há uma geladeira que enfeita, a energia foi cortada. Um fogão e uma cama de casal faz parte dos três cômodos da casa, que só tem um quarto, uma cozinha e o banheiro. Assim é a residência da diarista Marilza Oliveira, 33 anos, e do Paulo Teodoro, 36.

A família precisa de ajuda e não conta com aluguel social. O casal paga R$ 150 todo mês de aluguel. São quatro filhos na pequena casa. Na alimentação, os filhos matam a fome na escola, praticamente é o único local que fazem refeições corretas, pois em casa, café da manhã não tem e almoço, as vezes arroz com feijão. “Agora chega a época de férias, é triste para nós, eles irão passar mais tempo em casa e o dinheiro quase não dá para nada”, fala a mãe.

O marido de Marilza trabalha na mesma função que ela, os dois fazem serviço na roça para manter a casa. Como recebem a dia, a renda não chega a um salário mínimo, nem todos os dias tem serviço disponível. Para quitar os talões vencidos de energia, cerca de R$ 330 faria com que a família voltasse a ter energia em casa.

Para a ceia de Natal, eles não terão nada além de um possível prato de arroz. Entre os filhos, três meninos, (8,14 e 17 anos), e uma menina de 12, nenhum deles terá presente ou qualquer lembrança que possa remeter ao Natal. Ali na casa, matar a fome e ter ao menos onde dormir, é uma das preocupações da mãe. “Pedimos o aluguel social para a prefeitura, mas disseram que não tinha mais vaga. Se vierem me visitar vão ver que a gente mal cabe espalhado no chão, queria dar o melhor para meus filhos, mas não posso. Café puro de manhã as vezes tem. Esses negócios de pão e outras coisas não tem não, o estomago fica vazio mesmo”, narra.

» Marilza tem quatro filhos que dormem em cobertas por não ter colchão

Cinco filhos e dois sobrinhos

Na casa da Elizangela Teodoro mora ela e mais cinco filhos. Ainda, mais dois sobrinhos moram ali, pois Elizangela resolveu ficar com as crianças, para que não ficassem em abrigo.

Dois filhos maiores de idade são os responsáveis a ajudar no sustento, trabalha na roça. O restante dos filhos tem entre 16 a seis anos, que é a Ketterine Gabrieli, uma menina radiante de riso fácil e brilho no olhar, que sonha ganhar uma bicicleta de rodinha.

Na casa, as crianças dormem em colchões daqueles antigos, com madeira quebrada dentro, com mofos, só há uma cama. Geladeira não tem, móveis também não. A vida da família só não é pior porque recebe aluguel social, a comida tem, porém, é muita gente para dividir pouco alimento. “A geladeira era usada, ganhei, mas estragou, se eu tivesse dinheiro iria consertar”, relata.

Na verdade a geladeira da dona de casa foi jogada fora e Elizangela ficou com ela. Armário de cozinha ou de roupas, não tem.

» Sonho da dona de casa Elizangela Teodoro é ter uma geladeira ou camas para os filhos
Ketterine Gabrieli queria uma bicicleta de rodinhas. “Nunca tive uma”, diz

“Um guarda-roupa ajudaria”

Na casa da Rayanni dos Santos Souza, 28, falta muita coisa, inclusive, local para as crianças dormirem. Dos quatro filhos, a menina, 4, tem uma cama, os dois meninos, de 7 e 9 anos, dormem em um colchão velho, daqueles de madeira dentro, com mofo. A caçula da casa é a Pâmela, que aos 9 meses, nunca teve um berço e local nenhum para dormir, divide a cama com os pais.

O fogão só funciona duas bocas, e armário de cozinha, é totalmente enferrujado e muito precário. “Tinha uma vizinha que ajudava muito, dava comida, mas ela foi embora”, diz.

O marido da Rayanni trabalha na roça, na região do Perdido. No interior ele passa toda a semana e vem para casa todos os finais de semanas. “Eu trabalhava, levava meus filhos para o trabalho, meu patrão deixava. Mas tive uma gravidez de risco, um pós parto com recuperação complicada também, estou sem emprego. As crianças esse ano vão ficar sem presente, ao menos uma lembrancinha elas sempre ganhavam, mas agora as coisas pioraram”, explica.

De acordo com a dona de casa, que conta com aluguel social, a renda da família é de um salário mínimo. “Falta tanta coisa nessa casa, mas um guarda-roupa me ajudaria muito, daria para colocarmos as nossas roupas. Fica tudo enrolado em cima da minha cama, num lençol”, explica.

» Com quatro filhos, casal guarda a roupa de casa enrolada em um lençol
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