sexta-feira, junho 14, 2024
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Veneciano narra vinda da família da Itália para o Brasil

No mês da Cappitella, vamos narrar a história de um veneciano ítalo-brasileiro, que, assim como muitos imigrantes, ouviu de seus familiares, como foi vir no porão de um navio, da Itália até o Brasil. A reportagem é destinada sobre costumes, culinária e a vida desse povo europeu, que decidiu arriscar tudo, em busca de nova vida na América, afinal, eles chegaram aqui, como se estivesse chegando à Terra Prometida

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Uma cidade onde grande parte descende de italianos. Nova Venécia comemora 131 de imigração italiana e assim, como muitas outras famílias, o veneciano ítalo-brasileiro, o seu Pedro Mazarini, 91 anos, traz consigo as heranças europeias.

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Seu Pedro é filho de um legítimo italiano, o seu Augusto Geovani Mazarini, que saiu de Gênova com os pais no porão do Navio Birmania e chegou ao Brasil em 1891, depois de um mês de uma difícil viagem. O Porto de Vitória foi local de desembarque do pai do seu Pedro Mazarini e dos avós: Davide Mazarini e Maria Tereza Biral. “Meu pai contava que a viagem foi muito difícil, apesar dele ter apenas um ano de idade, foi o que ouvia do meu avô. Foram quase 30 dias de viagem, muito sofrido, em meio a precariedade”, fala seu Pedro.

Ao chegar em Vitória, o próximo destino da família Mazarini foi o Porto de São Mateus. Foi ali que ficaram hospedados em um casarão perto do cemitério, próximo a Catedral. “Dali eles seguiram para a Fazenda Cachoeira do Cravo. As mulheres vieram de canoa e os homens, a pé. Depois seguiram para Nova Venécia, na Serra de Baixo, onde foi a primeira moradia”, conta.

De acordo com seu Pedro, após a região da Serra de Baixo, a família foi para o Pipi-nuk, na localidade de São João Córrego da Volta, local que estabeleceram estadia até hoje. “O Governo na época demarcou as terras e fomos para lá. Guardo o nome de todas as famílias italianas que ficaram com um pedaço de terra. Muitas não se encontra mais lá. Venderam as propriedades”, revela.

Naquela época a vida, de acordo com o agricultor e hoje aposentado, era bastante difícil e até as compras que faziam, eram coletivas, vindas de São Mateus. “Trabalhamos muito na lavoura. Minha família veio da Itália com uma promessa do Governo Brasileiro, de que aqui a vida seria diferente. Quando chegaram, foram praticamente escravizados, é o que era feito com os índios também”, explica.

Assim como tantos italianos que desembarcaram no Brasil, a família Mazarini chegou ao País, após a abolição da escravatura, e os imigrantes começaram a trabalhar nas propriedades, em troco muitas vezes só de comida, é o que comenta seu Pedro. “Os italianos vieram para o Brasil fugidos da Guerra e da fome, já chegaram aqui bastante sofridos. Meu pai conta que fartura de comida tinha, mas as dificuldades enfrentadas, as doenças e a falta de estrutura em tudo, trouxeram muitos transtornos também”, fala.

Seu Pedro casou com a dona Luzia Sabadini, que morava na Chapadinha, e foi em um baile que se conheceram, ali na região no interior. O casal teve 11 filhos, as tradições italianas nunca foram esquecidas em casa, tanto é que, o aposentado fala fluente o italiano, língua que aprendeu em casa. “Aprendi com meu pai e avós. Era assim que conversávamos, às vezes em português, e outras em italiano”, conta.

Outra herança italiana na família Mazarini, é a mesma da maiorias casas de descendentes de italianos em Nova Venécia, a culinária. “Cresci e criei meus filhos com polenta no fogão a lenha, macarrão e massa, muita massa”, finaliza.

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