quarta-feira, maio 22, 2024
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Venecianos que residem no Rio Grande do Sul vivem o drama da tragédia que atinge o Estado

Maurício Azevedo, Leonardo Dadalto Salomão e Roberta Colombi, descrevem na reportagem sobre os dias difíceis que estão vivendo, diante da catástrofe que tem assolado a região, e ao mesmo tempo, comovido o País

O videomaker e ex-colaborador da Rede Notícia, Maurício Azevedo, 30 anos, reside em Gramado há cerca de um ano e meio, Leonardo Dadalto Salomão, 20, é estudante de Medicina na Universidade Federal de Rio Grande, e há menos de três meses foi morar em Rio Grande, para estudar. Já a Nutricionista, Roberta Colombi, mora em Caxias do Sul, há 10 anos.

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Em comum, os três venecianos enfrentam o desastre no Rio Grande do Sul, causado pelas fortes chuvas que atingem o estado desde o final de abril.  Aqui, eles narram um pouco do que tem sido vivenciar de perto a maior tragédia climática do Estado.

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Dados

O número de mortos na tragédia climática do Rio Grande do Sul, de acordo com o novo boletim da Defesa Civil, divulgado na manhã desta segunda-feira (13),  chegou a 147. As autoridades gaúchas informaram, ainda, que o número de pessoas desaparecidas é de 127 até o momento. Há 806 feridos. Segundo os dados da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, o total de pessoas que tiveram de deixar suas residências aumentou para mais de 619 mil, das quais 80,8 mil estão em abrigos e 538,2 mil, em casas de amigos ou parentes. Até agora, 447 dos 497 municípios do estado foram afetados, de alguma forma, pelas enchentes. Ao todo, são mais de 2,1 milhões de pessoas atingidas.


“Meus dias tem sido bem tristes, depois da morte do meu irmão caçula, que aconteceu mês passado, em Nova Venécia, venho tentando me levantar e, agora, ainda, ver todas essas catástrofes, é como se todos fossem atingidos com um luto por tudo isso, é algo sem precedentes. Agora, toda vez que chove, nós ficamos preocupados de que algo mais vai acontecer. Aqui em Gramado, mais de 600 pessoas foram retiradas das casas, além de 7 mortos por deslizamentos. O que vem trazendo um pouco de conforto, é poder trabalhar no Parque Mundo A Vapor, onde inauguramos a poucos dias, a Primeira Roda Gigante Temática do Mundo, uma empresa que genuinamente se preocupa com seus funcionários. Nossas atividades estão paradas, para que possamos prestar ajuda a todos atingidos nas cidades de Três Coroas e Igrejinha, que foram completamente tomadas pela água. Eu não consigo ir junto com o pessoal, por recomendação da minha psicóloga, por tudo que já aconteceu esses dias em minha vida familiar. Estou trabalhando home office, mas estou em oração e, contribuindo para ajudar com o que posso. As prateleiras de onde restaram os comércios, ficaram parecidas quando foi anunciado a pandemia da Covid, prateleiras vazias. Eu não estoquei comida, comprei o mínimo necessário, é uma forma de cada um poder ter um pouco. Se eu posso pedir algo, é que, quem tem o desejo de ajudar, leve sua contribuição até a loja Indiscreta, onde nosso amigo Carlos (Gaúcho), está recolhendo doações e enviando para cá.
Maurício Azevedo, ex-colaborador da Rede Noticia, residindo atualmente em Gramado
“Os abalos que sofremos foi de domingo (12) para segunda-feira (13). Está chovendo muito e, deu para sentir nitidamente, o solo se movimentando. Temos o nosso prédio, um condomínio e uma ribanceira logo abaixo; De madrugada ouvimos um vizinho gritando para evacuarmos o prédio, coisa de minutos, um desespero e uma correria total, acordamos assustados, por volta das 3h20, pessoal descendo a escada, chorando, quando chegamos na portaria, vimos que não estava desmoronando, descemos com meu filho, nora, e as três cachorras, e fomos para uma parte mais alta. Era muita informação desencontrada, mas foi um abalo mesmo, uma acomodação do solo, os bombeiros vistoriaram, viram que estava fora de risco, voltamos para casa por volta das 5h da manhã, não dormimos, fizemos um café e ficamos esperando com medo de ter um outro abalo. Agora, já ensaiamos como fazer caso aconteça novamente, o que pegar, quem iria pegar as cachorras, as mochilas. Temos uma mochila com itens indispensáveis para momentos assim. Essa noite ninguém dormiu também, meu filho dormiu de roupa, de tênis, luz acesa, para estar de prontidão, deixamos tudo pronto, roupa, os animais, tudo pronto, para que se tivéssemos que evacuar o prédio de novo, estarmos mais preparados. Sobre medidas de contenção, a gente foi orientado não usar gás de cozinha, poupar água, estou cozinhando em um fogão elétrico. As gôndolas de supermercado estão bastante vazias. Estamos ajudando, aqui em Caxias. Não fomos tão atingidos como em outras cidades, temos a obrigação de ajudar quem foi. Estamos em um grupo de voluntários, antes deste abalo, fizemos marmitas, preparamos refeições esses dias atrás, ajudamos um restaurante a produzir 2 mil refeições para os desabrigados em várias cidades , com muito capricho, recadinhos de carinho nas marmitas para quem recebesse, ter um conforto. Botamos a mão na massa literalmente, doamos roupas, dinheiro, muita gente de Nova Venécia, Acre, Vitória, Minas Gerais, Inglaterra, Aracruz, que são amigos nossos e nos ajudaram a fazer essas doações , através de um Pix que abrimos para isso. Comida, desodorante, absorvente, mantas, leite Ninho e Aptamil, compramos muita coisa. Estamos passando por isso juntos, meu marido é médico, está em um hospital ajudando perto de Canoas . Aqui, estamos, em uma corrente do bem, com muito medo, mas, com muita esperança e amor, um ajudando ao outro”
Roberta Colombi, Caxias do Sul
“A Universidade Federal de Rio Grande, que tem um campus aqui, está com as atividades suspensas, assim como as aulas de algumas escolas da rede municipal. A situação é bem mais privilegiada do que o resto do estado, em que a água subiu rapidamente, em alguns pontos levando tudo pelo caminho. Aqui, a cidade é circundada pela Lagoa dos Patos, e, por ser um grande corpo d’água, não sobe tão rapidamente, como os rios da Serra Gaúcha, por exemplo. Ainda assim, alguns bairros estão alagados, principalmente os de ribeirinhos. A grande dificuldade para a vazão dessa água para o mar, é o estreito canal delimitado pelos molhes da Barra, e o vento que, quando vem do sul, represa a água na Lagoa dos Patos, fazendo com que o nível da lagoa suba e, apague essas cidades do extremo sul que tem contato com essa laguna. Há muitos desabrigados, mas, felizmente, a grande mobilização no país inteiro, está fazendo com que as doações cheguem, e estas pessoas também recebem a solidariedade do próprio povo rio-grandino.
Leonardo Dadalto Salomão, Rio Grande

Pontos de doações em Nova Venécia
Multivix, Supermercados Economia (Matriz – Rua Barão dos Aymorés / Filial – Avenida Belo Horizonte, bairro Filomena), Correios e Loja Indiscreta (em frente a Rede Cuidar)

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