quarta-feira, fevereiro 21, 2024
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Vírus mortal: homem suspeito de raiva humana vive em fazenda na divisa entre MG e ES

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Vírus mortal: homem suspeito de raiva humana vive em fazenda na divisa entre MG e ES
Município de Mantena, em Minas Gerais. Crédito: Prefeitura de Mantena

A cidade de Mantena, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, que faz divisa com Barra de São Francisco, no Espírito Santo, investiga o caso de um homem de 60 anos suspeito de estar infectado com raiva humana, uma doença infecciosa viral aguda, que acomete mamíferos, e caracteriza-se como uma encefalite progressiva e aguda com letalidade de aproximadamente 100%. Encefalite é uma inflamação do cérebro, geralmente por causa de uma infecção. A vítima está em estado gravíssimo de saúde.

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Na noite deste sábado (15), a Rede Notícia, conversou com o secretário de Saúde de Mantena, Ocimar Rufino Pereira. Segundo ele, o estado de saúde do paciente suspeito é “grave”. “Esses casos são notificados as equipes de vigilâncias pelo laboratório que fez os exames, porém, a confirmação oficial se dá somente após uma segunda análise feita por um laboratório credenciado pelo Ministério da Saúde”, explicou o secretário.

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Rufino disse ainda, que a vítima, um paciente do sexo masculino, tem idade aparente em 60 anos, está internado em uma Unidade de Terapia Intensa, e “existe um protocolo sanitário a ser seguido”. Sem detalhar qual, o secretário informou que o paciente foi encaminhado para o hospital referência, onde segue internado em estado crítico de saúde.

Mora em propriedade que fica na divisa com o ES

O paciente suspeito mora em uma fazenda que faz divisa territorial com o município de Barra de São Francisco, no Espírito Santo. Sobre isso, o secretário de Saúde de Mantena, Ocimar Rufino Pereira, disse que as secretarias estaduais de Saúde do Espírito Santo e Minas Gerais acompanham de perto a situação, por ser uma cidade e uma propriedade rural limítrofe.

O secretário informou ainda que o provável contágio se deu “provavelmente por um bovino contaminado”. O animal “já foi sacrificado e incinerado”, disse o secretário. “Estamos trabalhando para imunizar as pessoas que tiveram contato com o paciente e fazer o bloqueio”, disse.

Rufino disse ainda, que a população precisa ter calma e acreditar no trabalho das equipes de Saúde.

O caso veio à tona na tarde deste sábado (15), por meio de um vídeo publicado pelo secretário de Saúde de Mantena, nas redes sociais.

A reportagem demandou posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo e de Minas Gerais. Este texto será atualizado se houver retorno.

Como a doença é transmitida?

A raiva é transmitida ao ser humano pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordedura, podendo ser transmitida também pela arranhadura e/ou lambedura desses animais.

O período de incubação é variável entre as espécies, desde dias até anos, com uma média de 45 dias no ser humano, podendo ser mais curto em crianças. O período de incubação está relacionado à localização, extensão e profundidade da mordedura, arranhadura, lambedura ou tipo de contato com a saliva do animal infectado; da proximidade da porta de entrada com o cérebro e troncos nervosos; concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral.

Nos cães e gatos, a eliminação de vírus pela saliva ocorre de 2 a 5 dias antes do aparecimento dos sinais clínicos e persiste durante toda a evolução da doença (período de transmissibilidade). A morte do animal acontece, em média, entre 5 e 7 dias após a apresentação dos sintomas.

Não se sabe ao certo qual o período de transmissibilidade do vírus em animais silvestres. Entretanto, sabe-se que os quirópteros (morcegos) podem albergar o vírus por longo período, sem sintomatologia aparente.

Quais são os sintomas?

Após o período de incubação, surgem os sinais e sintomas clínicos inespecíficos (pródromos) da raiva, que duram em média de 2 a 10 dias. Nesse período, o paciente apresenta:

  • mal-estar geral;
  • pequeno aumento de temperatura;
  • anorexia;
  • cefaleia;
  • náuseas;
  • dor de garganta;
  • entorpecimento;
  • irritabilidade;
  • inquietude;
  • sensação de angústia.

Podem ocorrer linfoadenopatia, hiperestesia e parestesia no trajeto de nervos periféricos, próximos ao local da mordedura, e alterações de comportamento.

Quais são as complicações?

A infecção da raiva progride, surgindo manifestações mais graves e complicadas, como:

  • ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes;
  • febre;
  • delírios;
  • espasmos musculares involuntários, generalizados, e/ou convulsões.

Espasmos dos músculos da laringe, faringe e língua ocorrem quando o paciente vê ou tenta ingerir líquido, apresentando sialorreia intensa (“hidrofobia”).

Os espasmos musculares evoluem para um quadro de paralisia, levando a alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e obstipação intestinal. Observa-se, ainda, a presença de disfagia, aerofobia, hiperacusia e fotofobia.

O paciente costuma se manter consciente, com período de alucinações, até a instalação de quadro comatoso e a evolução para óbito. O período de evolução do quadro clínico, depois de instalados os sinais e sintomas até o óbito, é, em geral, de 2 a 7 dias.

*Com informações da Secretaria de Saúde do estado do Paraná

Sobre o caso