quinta-feira, maio 23, 2024
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O alerta máximo em Israel após ataque iraniano sem precedentes

Os militares israelenses disseram que Israel e outros países interceptaram mais de 300 mísseis de cruzeiro e drones, a maioria fora do espaço aéreo israelense.

*Raffi Berg /  BBC News

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Irã lançou centenas de drones aéreos e mísseis contra Israel neste fim de semana, em um ataque de represália que era amplamente esperado. Foi a primeira vez que o Irã realizou ataques diretos contra o território de Israel.

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Os dois inimigos estão envolvidos há anos numa guerra paralela (shadow war). O Irã vinha usando as chamadas forças “por procuração” (proxy) — ou seja, usando terceiros na disputa, evitando assumir um confronto direto.

Os militares israelenses disseram que Israel e outros países interceptaram mais de 300 mísseis de cruzeiro e drones, a maioria fora do espaço aéreo israelense.

Israel disse que muito pouco dano foi causado, mas disse que as pessoas devem permanecer em alerta.

Ao expressar forte condenação pelo ataque, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que “ajudamos Israel a derrubar quase todos” os mísseis e drones.

“O Irã e os seus representantes que operam a partir do Iêmen, Síria e Iraque lançaram um ataque aéreo sem precedentes contra instalações militares em Israel”, disse Biden.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã disse que o ataque visava “alvos específicos”.

O Irã havia prometido retaliar um ataque ao seu consulado na Síria, no primeiro dia de abril, que matou sete oficiais do IRGC, incluindo um general. O Irã acusou Israel de realizar esse ataque, mas Israel não o confirmou, nem negou.

Após o ataque, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que “juntos venceremos”, mas não está claro qual será a resposta de Israel.

O presidente Biden disse ter reafirmado “o firme compromisso da América com a segurança de Israel”.

O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), contra-almirante Daniel Hagari, disse que alguns mísseis iranianos atingiram o interior de Israel, causando pequenos danos a uma base militar, mas sem vítimas.

O serviço de ambulância de Israel disse que uma menina beduína de sete anos foi ferida por estilhaços de destroços na região sul de Arad.

Hagari disse que o ataque em larga escala foi uma “grande escalada” e disse que Israel e seus aliados operaram com força total para defender Israel.

Em um comunicado separado, ele disse que o Irã disparou mais de 300 projéteis contra Israel durante a noite, 99% dos quais foram abatidos. Ele acrescentou que alguns dos lançamentos chegaram do Iraque e do Iêmen.

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, disse que “muito poucos danos foram causados”, mas alertou que “a campanha ainda não terminou” e disse que Israel deve “permanecer alerta”.

Duas autoridades dos Estados Unidos disseram à CBS, emissora norte-americana parceira da BBC, que as forças americanas derrubaram vários drones, mas não especificaram onde ou como foram interceptados.

O Ministério da Defesa do Reino Unido disse que os jatos de sua força aérea (RAF, na sigla em inglês) foram usados no Iraque e na Síria para interceptar “quaisquer ataques aéreos dentro do alcance das nossas missões existentes”.

Sirenes soaram em Israel e fortes explosões foram ouvidas em Jerusalém, com sistemas de defesa aérea derrubando objetos sobre a cidade.

O IRGC do Irã disse ter lançado o ataque “em retaliação contra os repetidos crimes do regime sionista [Israel], incluindo o ataque ao consulado da embaixada iraniana em Damasco”.

O presidente Biden encerrou mais cedo que o previsto uma viagem a Delaware para retornar à Casa Branca enquanto as tensões aumentavam no sábado (13/4).

Depois de falar com Netanyahu, Biden disse que convocaria “meus colegas líderes do G7 para coordenar uma resposta diplomática unida ao ataque descarado do Irã”.

Joe Biden reunido com membros do Conselho de Segurança Nacional na Casa Branca
Joe Biden reunido com membros do Conselho de Segurança Nacional na Casa Branca (REPRODUÇÃO X/POTUS)

O primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, condenou o ataque “irresponsável” do Irã, prometendo que o Reino Unido “continuaria a defender a segurança de Israel e de todos os nossos parceiros regionais”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, emitiu um comunicado dizendo que “condenou veementemente a grave escalada representada pelo ataque em grande escala lançado a Israel” pelo Irã.

Ele pediu “uma cessação imediata dessas hostilidades” e que todas as partes exercessem a máxima contenção. “Nem a região nem o mundo podem permitir-se outra guerra”, alertou.

O Conselho de Segurança da ONU se reunirá, neste domingo (14/3), para uma reunião de emergência sobre o ataque do Irã a Israel, disse sua presidente, Vanessa Frazier.

No início desta semana, os ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros de Israel alertaram que se o Irã atacasse Israel, Israel contra-atacaria dentro do Irã.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, major-general Mohammad Bagheri, disse à televisão estatal que a resposta do Irã seria “muito maior do que a ação militar desta noite se Israel retaliar contra o Irã”, segundo a Reuters.

Ele acrescentou que os EUA foram avisados ​​para não apoiar uma resposta israelense.

*Com reportagem adicional de Laurence Peter, Emily Atkinson e Doug Faulkner.

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